Panquecas inglesas

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Escrito por Bruno


Sim, eu sei, basta olhar para a fotografia para ver que isto não são panquecas, são crepes. Mas aqui em Inglaterra, as panquecas são geralmente assim, fininhas, e não grossas (que aqui se chamam "panquecas americanas"). Para dizer a verdade, gosto mais destas. Provavelmente porque me trazem uma recordação muito precisa da minha infância: os livros do Petzi.

O Petzi era um urso que no primeiro livro encontrava uma velha roda de leme e resolvia construir um barco. Depois passava o resto dos livros em aventuras no barco com os seus amigos - o Pingu, o Ricky, o Almirante - até se cansar e voltar a casa, onde, invariavelmente, a sua mãe esperava por ele com uma torre de crepes acabados de fazer. O Petzi punha-lhes mel e comia-os enrolados - eu gosto de pôr várias coisas. Mel é uma hipótese, mas também pode ser Nutella com framboesas e morangos, ou doces de fruta, ou o que apetecer na altura. A tradição inglesa é usar limão e açúcar, que também não fica nada mal.

Terça-Feira Gorda é conhecida por aqui como o "Pancake Day" - véspera do jejum da Quaresma, portanto o último dia para comer certas comidas à base de ovos, gorduras e outros. No entanto, claro, as panquecas comem-se durante todo o ano. Aqui em casa já se tornaram tradição de fim-de-semana. São simples de fazer, a receita é fácil de memorizar (chamo-lhe a receita "1-2-3": 100 de farinha, 2 ovos, 300 de leite) e toda a casa gosta.



Panquecas inglesas

Ingredientes ( cerca de 6 panquecas, dependendo do tamanho das mesmas )
  • 100g de farinha
  • 2 ovos
  • 300ml de leite
  • canela (opcional)
  • óleo

  • Deitem a farinha num recipiente, juntem-lhe os ovos, o leite, e a canela (a gosto). Batam com uma vara de arames até estar bem ligado. A massa vai ficar bastante líquida, mas é mesmo assim.

  • Entretanto aqueçam uma frigideira no fogão. Quando estiver bem quente deitem-lhe um fio de óleo e, com a ajuda de um pouco de papel de cozinha, espalhem bem o óleo por toda a superfície da frigideira. Deitem uma concha de massa e, inclinando a frigideira, espalhem a massa até cobri-la toda. Deixem ferver até estar seca à superfície (é bastante rápido). Com a ajuda de uma espátula, virem a panqueca e deixem cozinhar brevemente do lado oposto. Retirem para um prato e repitam com mais uma colher de massa.

  • Se virem que é necessário, deitem mais um pouco de óleo entre panquecas. Não é preciso muito, mas ajuda a massa a não pegar.

  • Ah - geralmente a primeira panqueca nunca sai bem (pelo menos a mim!), mas as outras rapidamente entram nos eixos.

Entrecosto no forno

sábado, 29 de julho de 2017

Escrito por Bruno


Acho que nunca tinha feito entrecosto no forno. Nem sei bem porquê, porque é daquelas comidas que adoro - e na verdade, não é nada difícil de fazer. Convém planear com antecedência, porque a carne deve ser temperada de véspera, mas tirando isso, não é nada complicada.

Antes de começar a cozinhar, cortei o entrecosto em tiras (com dois ossos cada), mas pode ser feito com uma tira completa na assadeira, se preferirem. Achei que era mais fácil cortá-lo antes e servir já em pedaços, ao invés de cortar no fim, na mesa. Mas, claro, fica ao critério de cada um.

O resto da receita foi meio inventada. Consultei várias receitas, escolhi o que me pareceu melhor, e experimentei. Valeu bem a pena.



Entrecosto no forno

Ingredientes ( 2 pessoas )
  • 2 colheres de massa de pimentão
  • 7 dentes de alho
  • louro
  • pimenta
  • azeite
  • 850g de entrecosto
  • sumo de 1 laranja
  • 500g de batatas
  • colorau
  • sal
  • banha
  • vinho branco

  • Na véspera, misturem num almofariz a massa de pimentão, o alho descascado, o louro, a pimenta e um pouco de azeite. Esmaguem tudo muito bem. Coloquem a carne num recipiente, deitem-lhe a mistura que prepararam e misturem bem com as mãos. No fim, deitem o sumo da laranja, voltem a misturar bem e coloquem no frigorífico a marinar, de um dia para o outro.

  • No dia seguinte, lavem bem as batatas e coloquem-nas, com casca, numa assadeira. Polvilhem com um pouco de colorau e sal. Reguem com um fio de azeite. Coloquem o entrecosto sobre as batatas, colocando um pouco de banha sobre a carne. Reguem tudo com vinho branco e levem ao forno pré-aquecido a 200º, durante pelo menos uma hora (no meu caso deixei mais uns 15 minutos porque me pareceu que precisava de um pouco mais de cor).

  • Retirem do forno e sirvam.

Pimentos de Padrón

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Escrito por Bruno


Uma das inevitáveis alegrias quando se mora noutro país é a surpresa ocasional de encontrar ingredientes que nos levam para mais perto das nossas memórias de casa. E por vezes não têm de ser exactamente memórias do nosso país, basta que sejam de suficientemente perto.

Aqui em Londres, costumamos fazer encomendas a uma empresa que entrega caixas de produtos sazonais orgânicos. A qualidade é óptima e a variedade é muita, o que nos permite ir experimentando receitas novas. Mas desta vez havia um produto familiar na lista a que não podíamos resistir - pimentos de Padrón. Há já algum tempo que não os provava - e há demasiado tempo que não visito a Galiza, que adoro. Era a desculpa ideal para preparar um prato.

Adoro a simplicidade desta receita - são só pimentos, um pouco de azeite e um pouco de sal. Mas o sabor é tudo. O sabor e a maldade dos pimentos, que são traiçoeiros - a tal história de que unos pican y otros no. Atirarmo-nos a um prato nunca sabendo o que nos vai calhar é muito mais do que simplesmente comer pimentos fritos, mas antes uma espécie de Roleta Galega, da qual volta e meia saímos ligeiramente queimados, mas sempre satisfeitos.



Pimentos de Padrón

Ingredientes
  • Pimentos de Padrón
  • Azeite
  • Sal grosso

  • Para preparar um prato de pimentos não é preciso preocuparmo-nos com quantidades e receitas. Basta lavar os pimentos e secá-los bem, depois deitar um pouco de azeite numa frigideira e, assim que estiver quente, juntar-lhe os pimentos. Fritam-se no azeite, virando-os de vez em quando para ficarem com a pele queimada.

  • No final deita-se um pouco de sal grosso por cima e estão prontos.

Sopa de letras #1

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Escrito por Bruno

'You must forgive me,' he said. 'I take a ridiculous pleasure in what I eat and drink. It comes partly from being a bachelor, but mostly from a habit of taking a lot of trouble over details. It's very pernickety and old-maidish really, but then when I'm working I generally have to eat my meals alone and it makes them more interesting when one takes trouble.'


James Bond, o espião gourmet, em Casino Royale, de Ian Fleming.

Sorvete de meloa e framboesa

domingo, 23 de julho de 2017

Escrito por Bruno


Com o Verão, apetecem gelados. Nem é preciso estar demasiado calor - o tempo que faz lá fora é irrelevante, desde que haja gelados. E sorvetes, e granitas, e todas as variantes que se queiram experimentar.

Aliás, na verdade, gelados são bons durante todo o ano. Uma máquina de gelados é um acessório essencial. A primeira que tivemos era de família, já com alguns anos, e usámo-la intensivamente até avariar. Comprámos uma segunda, que nos deu alguns problemas e acabou por durar menos. E agora, há umas semanas, quando aquelas duas ou três semanas de Verão inglês ameaçaram aparecer, resolvemos comprar a terceira. Já tinha saudades de preparar rapidamente uma mistura de frutas, natas e açúcar (ou só frutas e açúcar para um sorvete), meter tudo na máquina, preparar o jantar, levar à mesa, jantar calmamente, voltar à cozinha no fim do jantar, desligar a máquina e ter um gelado no ponto certo para comer como deve ser, cremoso e com um sabor que deixa a milhas os de supermercado.

Hoje tinha aqui uma meloa com bom ar e pareceu-me boa ideia. Juntei-lhe framboesas, que combinaram bem, e um pouco de limão. Ainda pensei em misturar qualquer coisa menos óbvia (pimenta preta era uma opção), mas deixei-me disso - desta vez a ideia era mesmo ser uma coisa simples, para a fruta brilhar. E resultou muito bem.



Sorvete de meloa e framboesa

Ingredientes
  • 1 meloa (a que usei tinha cerca de 780g de polpa)
  • algumas framboesas (usei as que tinha aqui, cerca de 110g)
  • 1 limão
  • 100g açúcar

  • A preparação é simples, como deve ser com um sorvete - cortem a meloa ao meio, retirem as sementes e, com a ajuda de uma colher, retirem a polpa para um copo misturador. Juntem no copo as framboesas, o sumo do limão e o açúcar. Triturem tudo. Provem para ver se está bom de açúcar, juntem mais se acharem necessário.

  • Liguem a máquina de gelados, deitem-lhe o preparado e esperem o tempo recomendado pela máquina para o sorvete estar pronto (caso não tenham máquina, deitem num recipiente e levem ao congelador; assim que começar a formar cristais de gelo nos bordos, retirem e, com um garfo ou um batedeira, batam bem para quebrar todos os cristais de gelo; voltem a levar ao congelador por mais umas 2 a 3 horas, retirando de meia em meia hora para voltar a quebrar os cristais de gelo - ao fim desse tempo deverá estar pronto).

Húmus

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Escrito por Bruno


Quando comecei a preparar este blog, resolvi espreitar a lista de links que tínhamos no Cozinha Com Tomates e ver como estavam os blogs que costumava seguir (alguns continuo a acompanhar regularmente, mas já não espreitava outros há bastante tempo). Foi uma pena ver que muitos deles acabaram por parar, com as últimas publicações datadas já de há alguns anos. Enfim, não é que me surpreenda, visto que foi exactamente o que se passou com o Cozinha Com Tomates, mas é uma pena - embora suponha que haja muitos outros blogs novos que entretanto surgiram e continuam agora em força.

No entanto, uma das presenças mais regulares e interessantes nos blogs de culinária continua ainda hoje em grande força - o blog de David Lebovitz, antigo chef pasteleiro americano residente em Paris e autor de vários livros. É dele a minha "bíblia dos gelados", o essencial "The Perfect Scoop", que muito provavelmente acabarei por trazer aqui uma vez ou outra. É dele também "My Paris Kitchen - Recipes And Stories", um livro de receitas que é também um apanhado das experiências de Lebovitz enquanto habitante de uma cidade em tudo diferente daquilo a que ele estava habituado na Califórnia, um tema que me tem sido de certa maneira familiar nos últimos anos.

Talvez por isso goste tanto do livro. Por isso e, sem dúvida, pelas receitas. Há mais uma ou outra que inevitavelmente colocarei aqui, mas para já fica este belíssimo húmus, na receita que sigo sempre. Adoro esta pasta de grão e sésamo - esta versão em particular, quando acabada de fazer, tem um sabor óptimo e fresco. Fica ainda melhor seguindo a sugestão do livro de espalhar generosamente grão, pevides, colorau e azeite por cima do húmus.

Uma nota rápida sobre o tahini, que é provavelmente o ingrediente menos comum - tahini é uma pasta feita à base de sementes de sésamo, usada principalmente na cozinha do Médio Oriente. Encontra-se à venda em supermercados, por vezes simplesmente como "Pasta de Sésamo".



Húmus

Ingredientes
  • 350g de grão em lata
  • 90g de tahini
  • 4 colheres de chá de sumo de limão
  • 2 dentes de alho, picados
  • 1½ colher de chá de sal
  • pevides
  • colorau
  • azeite

  • Comecem por passar o grão por água, tentando retirar a maior parte das peles transparentes.

  • Deitem num copo misturador o tahini, o sumo de limão, o alho e o sal e misturem até obter uma pasta cremosa. Juntem ao copo a maior parte do grão, reservando um pouco para decorar no final. Triturem novamente até não haver nenhuns pedacinhos de grão - o húmus quer-se cremoso.

  • Provem e, se necessário, ajustem o limão ou o sal. Se estiver demasiado consistente, podem deitar um pouco de água, para soltar um pouco a pasta.

  • Deitem o húmus para o recipiente onde vão servir. Espalhem por cima o grão que reservaram previamente e algumas pevides. Polvilhem com colorau e azeite - e convidem-me, que eu sou pessoa para aparecer aí para provar um bocadinho!

Gelado de suspiro com mirtilos e lemon curd

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Escrito por Bruno



Abrir o blog com uma sobremesa? Parece-me bem!

À medida que uma pessoa vai experimentando receitas, acaba sempre por guardar algumas para ocasiões especiais. Principalmente no capítulo das sobremesas, dá sempre jeito ter umas quantas que sejam simples de fazer, causem impacto e, claro, saibam bem. Este é um bom exemplo - quatro ingredientes, faz-se num instante e a única coisa de que temos de nos lembrar é que precisa de ser preparado de véspera. Encontrei a receita num site do Marks & Spencer, e nunca mais a larguei.

Algumas notas sobre os ingredientes - o lemon curd pode ser feito em casa, mas geralmente não me dou ao trabalho. A ideia desta sobremesa é ser fácil e rápida, por isso é mais fácil comprar um frasco de curd já preparado que seja de boa qualidade. Para quem preferir aventurar-se, a receita que o Chef Janvier descreve nesta variante de arroz-doce resulta muito bem (foi a que usei das vezes que fiz o meu próprio curd, e valeu sempre a pena). Quanto ao suspiro, a receita original usa ninhos de merengue, que aqui se encontram em todo o lado. Posso estar enganado, mas não me lembro de ver ninhos já prontos à venda em Portugal - no entanto, para este efeito, 100g de suspiros são exactamente o mesmo. Quando é para esmigalhar, a forma pouco importa.



Gelado de suspiro com mirtilos e lemon curd

Ingredientes
  • 300ml de natas
  • 325g de lemon curd
  • 180g de mirtilos frescos
  • 100g de suspiro

  • Num recipiente, batam as natas até ficarem firmes. Juntem o lemon curd e os mirtilos, envolvendo-os nas natas. Finalmente, esmigalhem os suspiros e juntem-nos também, envolvendo tudo.

  • Forrem uma forma de bolo inglês com película aderente, e deitem o preparado sobre a película. Levem ao congelador e, assim que estiver firme, cubram também o topo com película e deixem ficar de um dia para o outro.

  • De preferência retirem do congelador uns minutos antes de servir. Retirem a película aderente, e sirvam em fatias.

Começar

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Escrito por Bruno


Faz sentido começar um novo blog em 2017? Se calhar não. Confesso que quando abri este e comecei a olhar para as opções do Blogger (que não melhorou muito com a idade) ainda me apeteceu deixar-me de parvoíces e não avançar, mas depois a vontade de voltar a ter um espaço assim foi maior - e cá está o blog.

Não é a primeira vez que me aventuro nos blogs culinários. Fui durante uns bons anos (bem, suponho que ainda sou, porque nunca fechámos oficialmente o blog) metade da equipa por trás do Cozinha Com Tomates, em conjunto com o grande Chef Janvier. Eu assinava como Chef Spadanini, agora assino simplesmente como Bruno. Parece-me melhor, visto que este é um espaço mais pessoal, que vai ter receitas, mas não se vai esgotar aí. Vai ser sobre comida, e a comida não é só cozinhar.

Tal como na fotografia acima, esta introdução é mais ou menos como deitar os ovos na farinha - agora é só mesmo meter as mãos na massa. Vamos a isso!