Sopa de letras #2

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Escrito por Bruno

I say reassuring, because airline food is all about comfort – nothing else. Unlike other meals, its taste is not in any way a function of the ingredients or the molecular changes effected by the introduction of heat (what the dull and sublunary call ‘cooking’), but solely a product of the diner’s own anxiety. The airlines know this full well, which is why they dish up a lot of food in many dinky little portions, and why almost all of those portions so closely resemble sedative potato dauphinoise – or anxiolytic Irish stew. The nervy flyer, wedged in between John Grisham fans and contemplating a death that for sheer, quotidian pathos – Died in that air crash, you say? On her way to a city break in Tallinn? Blimey, what a pointless way to go – is only equalled by slipping in the shower stall on a cake of Imperial Leather, will reach joyfully for the proffered tray because, after all, if you’re eating you must be alive, no?

Will Self e a comida de avião (quando ainda havia comida de avião e não apenas uma sandes - se estivermos com sorte), em The Unbearable Lightness of Being a Prawn Cracker, um dos melhores títulos de sempre na literatura gastronómica.

Vem a propósito, porque vamos de férias - voamos amanhã e espero voltar com receitas de Verão: amêijoas, inevitáveis, mas provavelmente mais qualquer coisa... Até já!

Pie de carne e queijo

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Escrito por Bruno



Pie. Uma palavra inglesa simples que esconde uma grande variedade de comida - e há poucas coisas mais inglesas que uma boa pie. Em Inglaterra, dividem-se em dois grandes tipos - com puré de batata a envolver o recheio, ou com massa (folhada ou quebrada). São o equivalente aos nossos empadões e empadas, respectivamente, embora muitas vezes as pies com massa sejam autênticos guisados só com uma tampa de massa por cima, enquanto as nossas empadas tendem a ser mais secas por dentro. Eu, que não sou grande fã de empadão, fico-me pelas pies com massa.

É um tipo de comida que se encontra aqui por todo o lado, dos pubs aos mercados de rua, com inúmeras variedades de recheio - com carne e cerveja (as pies de Guinness são um clássico), com legumes, com veado, com bife e fígado (uma das minhas preferidas), ou mais simples, como esta receita, que faço de vez em quando e sai sempre bem.

A receita é adaptada de um livro chamado simplesmente Pie, escrito por Dean Brettschneider, que encontrei um dia em promoção numa loja e trouxe por impulso. Acabou por ser uma boa compra e um bom livro com ideias interessantes para recheios e tipos de massa.



Pie de carne e queijo

Ingredientes ( 4 pies individuais )
  • 1 embalagem de massa folhada
  • 500g de carne de vaca picada
  • 175ml de caldo de carne
  • 125ml de cerveja
  • 200g de queijo ralado (usei cheddar)
  • 1 cebola picada
  • 2 dentes de alho esmagados
  • 30g de farinha sem fermento
  • 2 colheres de sopa de concentrado de tomate
  • 1 ovo
  • azeite
  • vinagre balsâmico
  • molho inglês
  • mistura de ervas secas
  • sal
  • pimenta

  • Deitem um fio de azeite numa frigideira, juntem-lhe a cebola e o alho e deixem refogar até a cebola começar a alourar. Juntem a carne picada e cozinhem até ganhar cor, mexendo com uma colher de pau, para soltar bem a carne. Polvilhem com a farinha e deixem cozinhar durante cerca de 30 segundos. Juntem a pouco e pouco o caldo de carne e a cerveja, mexendo bem. Deixem levantar fervura e juntem o concentrado de tomate, o vinagre balsâmico e o molho inglês. Polvilhem com as ervas secas e temperem com sal e pimenta a gosto. Baixem o lume e deixem fervilhar durante 10 minutos. Retirem e reservem.

  • Entretanto, espalhem a massa folhada e cortem círculos à medida para forrarem quatro ramequins com massa, deixando-a um pouco maior do que o bordo da taça. A massa deverá ser suficiente para forrar os quatro ramequins e ainda sobrar para as tampas.

  • Deitem o recheio sobre a massa em cada ramequim, sem encher até acima. Juntem depois o queijo ralado sobre o recheio. Cortem círculos de massa folhada à medida de cada ramequim para fechar as pies. Pincelem o bordo da massa dos ramequins com um pouco de água e coloquem a tampa por cima, vedando bem com os dedos. Cortem o excesso de massa à volta. Pincelem com o ovo batido e levem ao forno pré-aquecido a 220°, durante 30 minutos. Retirem do forno e sirvam.

Clover Club

sábado, 12 de agosto de 2017

Escrito por Bruno


Ao longo do tempo vamos encontrando livros que se tornam indispensáveis na cozinha, cada um com uma função diferente. Já aqui falei algumas vezes do The Perfect Scoop do David Lebovitz, a minha bíblia para gelados e sorvetes. Mas há tantos outros... Os absolutamente incontornáveis Cozinha Tradicional Portuguesa, de Maria de Lourdes Modesto ou O Livro de Pantagruel, de Bertha Rosa-Limpo, Jorge Brum do Canto e Maria Manuela Limpo Caetano, para quase tudo o que é português (e não só, no caso do Pantagruel). O Macarons, de Pierre Hermé. E, para cocktails, o completíssimo The Spirits, de Richard Godwin. Este último é uma colecção enorme de bebidas, escrito com um humor perfeito e com bastantes ajudas para quem está a começar.

Logo no primeiro capítulo, Godwin apresenta os "clássicos" - os 25 primeiros cocktails que toda a gente devia começar por experimentar (com o Martini à cabeça, claro, que há-de passar por aqui também). Em oitavo na lista, está este Clover Club, que é um favorito cá em casa - a combinação de gin, vermute, limão e framboesa é perfeita para um fim de dia (ou um começo de jantar com amigos) refrescante.

Algumas notas para iniciados: o vermute francês, ou seco, não é mais do que o vermute branco - em Portugal o mais conhecido será porventura o Martini Bianco (o Martini Rosso é vermute italiano, ou tinto - ou doce), mas há outros, como o Noilly Prat (o que eu normalmente uso). A calda de açúcar faz-se simplesmente levando 2 partes de açúcar amarelo para 1 de água ao lume (as quantidades exactas dependem da quantidade de cocktails que quiserem fazer), mexendo até o açúcar estar dissolvido - nessa altura retira-se do lume e deixa-se arrefecer.



Clover Club

Ingredientes ( 1 cocktail )
  • 50ml de gin
  • 15ml de sumo de limão
  • 10ml de calda de açúcar amarelo (feita com 2 partes de açúcar para 1 de água)
  • 15ml de vermute francês
  • 3 framboesas frescas
  • 15ml de clara de ovo

  • O Clover Club é simples de fazer, mas precisa de ser agitado duas vezes para que a clara de ovo ganhe a espuma característica que enfeitará o cocktail no final. Assim sendo, comecem por deitar todos os ingredientes no shaker, juntem bastante gelo e agitem com força durante pelo menos 10 segundos.

  • Coem duplamente para um recipiente vazio, passem o shaker por água rapidamente, para retirar os cubos de gelo e os restos de framboesa, e voltem a colocar o cocktail no shaker, desta feita sem qualquer gelo. Agitem novamente durante pelo menos 10 segundos para a clara de ovo ganhar espuma e coem para um copo de cocktail frio.

  • Enfeitem com uma framboesa fresca.

Legumes assados no forno

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Escrito por Bruno



Coisas simples - tantas vezes as que resultam melhor. Este é um daqueles acompanhamentos que se faz num instantinho, que dá para aproveitar o que houver em casa, e que combina bem com quase tudo. Basta cortar os legumes, temperar e levar ao forno.

Simples e saudável!



Legumes assados no forno

Ingredientes
  • Usem o que tiverem à mão, mas no meu caso, a receita foi esta:
  • 1 courgette
  • 1 beringela
  • 2 pimentos vermelhos
  • 1 cebola
  • 3 dentes de alho
  • 1 frasco de corações de alcachofra em azeite
  • sal
  • pimenta
  • azeite

  • Nada mais simples: cortem a courgette, a beringela e a cebola em rodelas e os pimentos em tiras. Esmaguem os dentes de alho.

  • Deitem tudo menos as alcachofras num tabuleiro, reguem com azeite e temperem com sal e pimenta. Levem ao forno aquecido a 220° por cerca de 20 minutos. Nessa altura juntem as alcachofras escorridas de azeite, misturem tudo bem e deixem assar por mais 5 minutos.

  • Retirem e sirvam.

Eton Mess rápido

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Escrito por Bruno



Andava à procura de uma receita para uma sobremesa simples, rápida, e que pudesse ser servida assim, numa taça pequena ou num copo.

Encontrei este Eton Mess no Giraffes Can Bake, um site que tem muitas e boas receitas para experimentar (o link já está adicionado na lista ali ao lado, que tem vindo a crescer desde que comecei este blog).

O Eton Mess é uma das sobremesas tradicionais inglesas, à base de suspiro, natas e morangos. Diz a lenda (absolutamente falsa, como todas as boas lendas) que, num jogo de críquete no Eton College, um cão atirou ao chão a cesta de piquenique que tinha uma pavlova de morango para a sobremesa, tendo ficado a sobremesa completamente desfeita. Os rapazes não se importaram, comeram-na mesmo assim, e acharam que estava ainda melhor. Nascia assim o Eton Mess. Histórias à parte, é uma sobremesa simples de fazer, ainda para mais nesta versão, que fica pronta num instante e é um bom final para uma refeição.



Eton Mess rápido

Ingredientes ( 4 pessoas )
  • 75g de mirtilos
  • 100g de morangos
  • 75g de framboesas
  • sumo de meio limão
  • 50g mais 1.5 colheres de sopa de açúcar
  • 1 colher de sopa de água
  • 1 colher de chá de amido de milho
  • 300ml de natas para bater
  • 45g a 60g de suspiros

  • Comecem por preparar o molho de frutos silvestres, colocando os mirtilos, os morangos e as framboesas (reservem alguns para enfeitar no final) num tacho pequeno, juntamente com o sumo de limão e os 50g de açúcar. Misturem a água bem com o amido de milho e juntem ao tacho. Cozinhem em lume médio, deixando fervilhar por 5 minutos. Retirem e reservem.

  • Entretanto, batam as natas com a colher e meia de açúcar até ficar firme.

  • Agora é montar as sobremesas - deitem uma camada de suspiro desfeito no fundo dos copos. Por cima, deitem uma camada de natas (um saco de pasteleiro pode ajudar bastante neste passo), seguida de uma ou duas colheradas do molho de frutos silvestres. Repitam estas camadas mais uma ou duas vezes (dependendo da quantidade e do tamanho dos copos). Terminem com uma camada de suspiro e enfeitem com os frutos que reservaram.

Pêras bêbedas com creme de mascarpone e amêndoa amarga

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Escrito por Bruno


Ah, pêras bêbedas! Uma das minhas sobremesas preferidas e que andava esquecida há que tempos! Não sei bem porquê, mas lembrei-me delas e foi tanta a vontade que tive de ir comprar pêras e mascarpone para fazer esta receita.

Originalmente fazia um creme simples de mascarpone, só o queijo e açúcar, mas desta vez pareceu-me bem inventar um pouco. Amêndoa combina bem com pêras, por isso porque não pegar naquela garrafa de amêndoa amarga que está ali guardada e juntar um pouco? A ideia pareceu-me boa, e resultou bem. A quantidade de licor é pouca, mas suficiente para se notar o travo da amêndoa, a complementar bem as pêras.

E é justo - se as pêras estão bêbedas, então que o creme também esteja. Afinal de contas, beber sozinho nunca tem tanta graça.



Pêras bêbedas com creme de mascarpone e amêndoa amarga

Ingredientes ( 2 pessoas )
  • 4 pêras
  • 75dl de vinho tinto
  • sumo de meio limão
  • sumo de meia laranja
  • casca de limão
  • 350g de açúcar
  • 1 cálice de vinho do Porto
  • 1 pau de canela
  • 250g de queijo mascarpone
  • 3 colheres de sopa de licor de amêndoa amarga
  • mel

  • Descasquem as pêras, mantendo o pé (eu costumo também cortar-lhes a base, para ser mais fácil mantê-las em pé). Reguem-nas com os sumos do limão e da laranja.

  • Entretanto, coloquem o açúcar num tacho e deitem-lhe água - só o suficiente para cobrir o açúcar. Levem ao lume e, assim que começar a fervilhar, deitem-lhe o vinho tinto - quando este estiver também a fervilhar, deitem-lhe duas tiras de casca de limão e o pau de canela.

  • Coloquem as pêras no vinho, reduzam para lume brando e deixem ferver até as pêras estarem macias (a melhor maneira de verificar a cozedura é usar uma faca afiada para picar as pêras. Se as sentirem bem macias, sem oferecerem resistência, já devem estar boas - deve demorar pelo menos 20 a 30 minutos). Retirem as pêras, mas deixem a panela ao lume, deitando-lhe o cálice de vinho do Porto e esperando até o vinho engrossar. Depois retirem e deitem sobre as pêras.

  • Entretanto preparem o creme - basta misturar a amêndoa amarga com o queijo e mexer bem com uma colher. Assim que o queijo começar a ficar cremoso, está pronto.

  • Sirvam duas pêras em cada prato, com uma bola de creme de mascarpone regada com um fio de mel.

Frango com mostarda

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Escrito por Bruno



Esta é um dos pratos preferidos cá de casa, e sai sempre bem. O molho é do outro mundo, com os sabores da mostarda, do bacon, da cebola e do tomilho a criarem uma combinação perfeita com o frango.

A receita é do David Lebovitz, publicada no livro My Paris Kitchen. No final da receita ele aconselha acompanhar com massa fresca, que é boa para absorver bem o molho - eu usei legumes assados no forno. Melhor ainda é terem um bom pão na mesa, que vai dar muito jeito para molhar no prato (ou mesmo no tacho!).



Frango com mostarda

Ingredientes ( 4 a 6 pessoas )
  • 4 coxas e 4 pernas de frango
  • 135g mais 3 colheres de sopa de mostarda de Dijon
  • ¼ de colher de chá de colorau
  • 100g de bacon em cubos
  • 1 cebola pequena, cortada em cubos
  • 250ml de vinho branco
  • 1 colher de sopa de grãos de mostarda
  • 2 ou 3 colheres de sopa de crème fraîche (ou, em alternativa, natas)
  • alguns ramos de tomilho fresco
  • salsa
  • sal
  • pimenta preta

  • Deitem para uma taça grande os 135g de mostarda de Dijon, o colorau, a pimenta e o sal. Misturem bem e deitem o frango para a taça, cobrindo todas as partes com a mistura de mostarda.

  • Levem uma sertã grande a lume médio-alto e deitem-lhe o bacon. Cozinhem até começar a ganhar cor - nessa altura retirem para um prato coberto com papel de cozinha, para absorver a gordura. Juntem a cebola e cozinhem-na por uns minutos até começar a ficar translúcida. Nessa altura retirem-na da sertã e reservem.

  • A sertã deverá ter ainda alguma gordura do bacon - se não for o caso, deitem-lhe um fio pequeno de azeite. Coloquem o frango na sertã, sem se sobrepor. Ainda em lume médio-alto, cozinhem o frango, deixando-o ganhar cor por todos os lados. O fundo da sertão poderá começar a parecer queimado, mas essa parte é importante para dar sabor ao molho, por isso não se preocupem.

  • Assim que o frango estiver com uma boa cor, retirem-no e reservem-no. Deitem agora o vinho na sertã e, com uma espátula ou uma colher de pau, raspem bem o fundo da panela, soltando todos os pedaços e misturando-os bem no vinho. Voltem a colocar o frango, a cebola e o bacon na sertã, juntem o tomilho, e baixem o lume para brando. Tapem com a tampa e deixem cozinhar durante pelo menos 15 minutos, até o frango estar pronto. De vez em quando abram e virem o frango, para que a cozedura seja uniforme.

  • Assim que a cozedura tiver terminado, retirem do lume e juntem as 3 colheres de mostarda Dijon, as sementes de mostarda e o crème fraîche. Misturem bem. Se o molho tiver reduzido demasiado e estiver demasiado grosso, podem deitar um pouco de água morna para o deixar menos espesso.

  • Finalmente, deitem salsa picada por cima e estará pronto a servir.

Tiramisù

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Escrito por Bruno


A cozinha italiana é uma das minhas principais inspirações, desde que a descobri em Milão, onde trabalhei durante 10 meses, num projecto em 1999. Na altura eu era um pequeno selvagem - caramba, eu cortava esparguete com a faca! Lembro-me de deixar vários colegas italianos horrorizados ao verem-me cortar massa, o que para um italiano é algo tão mau - que digo eu? pior ainda! - quanto cortarem-lhes a própria mãe. Mas entretanto fui aprendendo algumas coisas: a enrolar esparguete no garfo, a fazer um risotto em condições - e a fazer Tiramisù.

Uso a mesma receita desde que a descobri, publicada no blog italiano Anice & Canella, que, infelizmente, já não é actualizado desde 2014. Tal como a autora escrevia no post, receitas de Tiramisù há às centenas, e há discussões intermináveis sobre qual a forma correcta de o fazer - com ou sem álcool, com claras ou natas,... Na verdade, como em tantas outras receitas, não há uma receita-padrão, e as variações regionais são normais e bem-vindas. É essa variedade que torna a culinária mais interessante e surpreendente.

De qualquer forma, esta receita é simples e resulta sempre bem. A única diferença interessante, que acrescenta textura e sabor, é o uso dos pedaços pequenos de chocolate. É raro encontrá-los noutras variantes, mas fazem bastante diferença.



Tiramisù

Ingredientes
  • 500g de queijo mascarpone
  • 5 gemas
  • 4 claras
  • 4 colheres de sopa de açúcar
  • o equivalente a 6 chávenas pequenas de café
  • cacau em pó
  • 200g de chocolate negro cortado em pedaços pequenos
  • 300g de palitos la reine ou equivalentes

  • Comecem por bater as gemas com o açúcar até fazer espuma. Juntem o queijo mascarpone e continuem a bater, em velocidade baixa, até estar bem misturado.

  • Noutro recipiente batam as claras em castelo até estar bem firme. Envolvam-nas a pouco e pouco ao creme de gemas e mascarpone, misturando com cuidado.

  • Agora é altura de começar a montar o Tiramisù. Passem os palitos la reine pelo café, apenas no lado do açúcar. Coloquem-nos numa primeira camada no fundo do tabuleiro onde irão servir, com o lado do açúcar para cima - assim, o café irá descer pelos palitos, humedecendo toda a massa e deixando-os fofos. Cubram os palitos com uma camada de creme de gema e mascarpone. Polvilhem com cacau e espalhem pedaços de chocolate. Repitam - mais uma camada de palitos e outra de creme, cacau e chocolate. Repitam uma terceira vez, terminando com o creme, cacau e chocolate.

  • Levem ao frigorífico até à hora de servir. Buon appetito!

Gago Coutinho

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Escrito por Bruno



Há mais em comum entre cocktails e culinária do que parece à primeira vista. Há o lado óbvio de o cocktail poder acompanhar a comida, tornando interessante tentar procurar a combinação perfeita entre o que se bebe e o que se come. Mas, para além disso, há o lado de poder experimentar com diferentes ingredientes - não só bebidas, mas também caldas, fruta, ervas, e tudo aquilo de que a imaginação se lembrar.

Há cerca de dois anos que comecei a interessar-me por cocktails e a tentar fazer os meus em casa. É um processo criativo, interessante, relativamente barato (há um investimento inicial em algumas garrafas, mas a quantidade de álcool por cocktail é pequena, por isso o custo por copo é muito mais barato do que os preços que são cobrados em bares), e, enfim, fica-se com coisas boas para beber.

O Gago Coutinho é uma alteração minha de um clássico, o Aviation. O original leva gin, sumo de limão, licor Maraschino (feito à base de cerejas Marasca) e Crème de Violette. Como ainda não cheguei a esse extremo de dedicação, não me preocupei sequer em procurar este último ingrediente. Para além disso, em vez de Maraschino usei ginja de Alcobaça, a melhor de todas (não aceito discussões!), o que tornou o cocktail numa versão mais portuguesa do Aviation. Ora, Aviation em versão portuguesa... Gago Coutinho, claro. Pareceu-me o nome ideal. Não é um cocktail que nos faça atravessar o Atlântico, mas é suficientemente bom para tornar o fim do dia mais agradável!



Gago Coutinho

Ingredientes ( 1 cocktail )
  • 50ml de gin
  • 15ml de sumo de limão
  • 15ml de ginja de Alcobaça

  • Deitem tudo no shaker com bastante gelo e agitem bem. Coem duplamente (usando o coador do shaker e um passador pequeno de malha fina) para um copo de cocktail frio. O avião de papel é opcional.

Sorvete de manjericão com morangos em calda de limão

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Escrito por Bruno


A ideia de um sorvete de manjericão pode parecer bizarra para quem nunca o provou, mas este é provavelmente o mais fresco sorvete que sei fazer. O manjericão e a lima resultam na perfeição, e combinam perfeitamente com os morangos.

Publiquei esta receita inicialmente no Cozinha Com Tomates, já lá vão oito anos, e ainda a faço exactamente da mesma maneira. Na altura, adaptei a receita do sorvete desta receita do La Tartine Gourmande, e os morangos estão no The Perfect Scoop, o livro do David Lebovitz que é a minha bíblia de gelados.

Sempre que faço esta receita lembro-me que o David Lebovitz tem no livro um gelado de salsa. Quando passo por essa página acho sempre que nunca experimentarei fazê-lo porque... enfim... gelado de salsa? Mas a verdade é que se o gelado de manjericão é assim tão bom, se calhar devia mesmo tentar o de salsa. Um destes dias. Talvez.



Sorvete de manjericão com morangos em calda de limão

Ingredientes ( 2 pessoas )
  • Para o sorvete:
  • 500ml de água
  • 150g de açúcar
  • 60g de folhas de manjericão
  • 4 limas

  • Para os morangos:
  • 250ml de água
  • 50g de açúcar
  • 450g de morangos
  • raspa de 1 limão

  • Comecem pelos morangos, que precisam de macerar durante algum tempo - deitem num tacho a água, o açúcar e a raspa do limão. Levem ao lume até levantar fervura e mexam com uma colher até dissolver o açúcar. Retirem do lume e deixem arrefecer.

  • Cortem os morangos em quartos, deitem-nos num recipiente e cubram-nos com a calda de limão. Deixem-nos a macerar no frigorífico, durante 1 a 4 horas.

  • Agora o sorvete - juntem a água e o açúcar num tacho e levem ao lume. Assim que começar a ferver, reduzam para lume brando e deixem a fervilhar durante cerca de 2 minutos. Retirem e deixem arrefecer (isto é importante - se a calda ainda estiver quente, as folhas de manjericão vão cozer nela, e o gelado vai ficar castanho e feio em vez de verde vivo e apetecível). Quando a calda estiver fria, deitem-na num recipiente, juntem as folhas de manjericão e o sumo das limas. Triturem tudo com uma vainha mágica. Deitem a mistura na máquina de gelados e sigam os tempos recomendados pelo fabricante.

  • Para servir, deitem alguns morangos numa taça, reguem com um pouco da calda de limão e coloquem uma bola do sorvete de manjericão por cima.

Camarão com manjericão

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Escrito por Bruno


Para receitas simples e que resultam sempre bem, o meu autor de eleição é o Nigel Slater. Com uma escrita despretensiosa, receitas daquelas que parecem inventadas na hora olhando para o que há no frigorífico, mas com um bom gosto à toda a prova, os livros dele são uma maravilha para folhear de vez em quando. Um deles, o "Eat - The Little Book of Fast Food" é um dos meus preferidos. Quando não há ideias para o que fazer, basta abrir o livro ao calhas que a probabilidade é grande de encontrar qualquer coisa que apeteça logo provar.

Esta receita vem desse livro. É um simples camarão frito, com um molho de manjericão, que parece pesto mas não é, porque para ser pesto precisava também de alho e queijo. Assim, fica só camarão com manjericão, que em português até rima.

O sabor disto é óptimo. Faz-se num instante e é uma maravilha para petiscar num dia de Verão - melhor ainda se não for um Verão como o daqui, mas enfim, pelo menos não está a chover. Hoje.



Camarão com manjericão

Ingredientes ( 2 pessoas )
  • 12 camarões grandes
  • 20g de manjericão
  • 50g de pinhões
  • sumo de 1 limão
  • 120ml de azeite

  • Esta é a definição de uma receita simples: coloquem o manjericão, os pinhões, o limão e o azeite num copo misturador e triturem muito bem. Levem uma frigideira ao lume e fritem os camarões, só com um fiozinho pequeno de azeite. Deitem-lhes sal enquanto cozinham.

  • Sirvam com o molho de manjericão por cima e comam com as mãos (a sério).