Barriga de porco com maçã caramelizada e puré de feijão e maçã

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Escrito por Bruno


A barriga de porco (ou entremeada) é uma das minhas peças preferidas. Principalmente feita assim, num bom assado, lento, para que a carne fique a desfazer-se na boca, e a pele fique crocante e estaladiça (a que aqui chamam crackling e que nunca pode faltar num bom assado de porco).

A maçã é um acompanhamento clássico para a carne de porco - resolvi juntá-la a dobrar: em fatias caramelizadas em manteiga e açúcar, e num puré óptimo, com feijão-manteiga, que pode ser aproveitado como acompanhamento em vários outros pratos. Ficou tudo óptimo!



Barriga de porco com maçã caramelizada e puré de feijão e maçã

Ingredientes ( 6 pessoas )
  • 15g de salva
  • 15g de alecrim
  • 4 dentes de alho, picados
  • 1 limão
  • 1 lima
  • 1.5kg de barriga de porco

  • Para a maçã caramelizada:
  • 2 colheres de sopa de manteiga
  • 3 maçãs, descascadas, descaroçadas e cortadas em fatias finas
  • 2 colheres de sopa de açúcar
  • ½ limão, só o sumo

  • Para o puré de feijão e maçã:
  • 25g de manteiga
  • 2 maçãs, descascadas, descaroçadas e cortadas em pedaços pequenos
  • 2 dentes de alho, picados
  • 3 latas de feijão-manteiga, escorrido
  • 200ml de natas
  • sal
  • pimenta

  • Comecem por aquecer o forno a 240° (ou 220° ventilado). De seguida, separem as folhas dos talos da salva e do alecrim, e cortem ambos grosseiramente com uma faca. Juntem num almofariz com o alho, a raspa e o sumo do limão e da lima. Misturem bem até ficar quase como uma pasta.

  • Virem a carne com a pele para baixo e façam uns golpes na carne (sem chegar à pele). Espalhem a mistura de ervas na carne e assegurem-se que entra bem pelos golpes que fizeram. De seguida, voltem a carne ao contrário e coloquem-na, com a pele para cima, num tabuleiro de forno. Com uma faca bem afiadaa, dêem alguns cortes diagonais na pele, suficientes para chegar à gordura que está por baixo, mas sem chegar à canre. Limpem muito bem a pele com papel absorvente e polvilhem generosamente com sal. Levem ao forno por cerca de 20 minutos. Passado esse tempo, reduzam a temperatura para 190° (170° ventilado) e deixem assar por mais duas horas, até a carne estar pronta e a pele ficar estaladiça.

  • Enquanto a carne assa, preparem os acompanhamentos. Para as maçãs caramelizadas, levem uma frigideira ao lume e derretam nela a manteiga. Juntem as fatias de maçã e o açúcar e deixem cozinhar por cerca de 5 minutos, virando regularmente, até ficarem douradas de ambos os lados. Refresquem com o sumo de limão e reservem.

  • Finalmente, o puré - levem a manteiga a derreter num tacho. Juntem as maçãs e o alho picado e cozinhem em lume brando por 5 minutos. Juntem o feijão e as natas, temperem com sal e pimenta e deixem cozinhar até o feijão estar quente. Retirem do lume e triturem com a varinha mágica até o puré estar pronto.

  • Sirvam a carne sobre o puré, acompanhada com as maçãs caramelizadas.

Salsichas no forno com batatas e pimentos

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Escrito por Bruno



Um Domingo preguiçoso, lá fora faz frio, os dias cada vez mais curtos. É de manhã, um dos rapazes está numa aula de rugby com a mãe, eu estou em casa com o outro rapaz, é preciso preparar o almoço, qualquer coisa que não dê muito trabalho (é um daqueles dias que pede coisas simples), mas que seja aconchegante, porque as temperaturas não ajudam e o céu está demasiado cinzento para comidas mais frescas.

Vou ao supermercado, trago batatas, pimentos e cebolas roxas - podia ter trazido beringela ou courgette, ou quaisquer outros vegetais que apetecesse usar. Trago também salsichas de porco frescas, seis delas com cebola roxa caramelizada, outras seis com maçã (tal como disse aqui, a variedade de salsichas frescas em Inglaterra é uma pequena maravilha).

Volto para casa, preparo os ingredientes, ponho no forno, deito vinho branco num copo, entretanto chega a mãe e o rapaz mais novo, e está o almoço praticamente pronto - e o Domingo passa-se melhor.


Salsichas no forno com batatas e pimentos

Ingredientes ( 4 pessoas )
  • 2 pimentos vermelhos, cortados em tiras pequenas
  • 2 cebolas roxas, cortadas em rodelas finas
  • 500g de batatas novas, descascadas e cortadas
  • 2 dentes de alho, esmagados
  • azeite
  • vinagre balsâmico
  • 12 salsichas frescas
  • mel
  • sal
  • pimenta
  • 200ml de vinho branco

  • Liguem o forno a 180° ventilado. Coloquem os pimentos, as cebolas, as batatas e o alho numa assadeira de forno e reguem com um fio de azeite e outro de vinagre balsâmico. Levem a assar por 10 minutos.

  • Retirem do forno e juntem as salsichas, cobrindo-as com um fio fino de mel. Temperem tudo com sal e pimenta e voltem a colocar no forno por mais 25 minutos.

  • Retirem novamente do forno, virem as salsichas e juntem o vinho branco. Voltem a colocar no forno por mais 20 minutos e estará pronto a servir.

Pão com chouriço e nozes

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Escrito por Bruno



Já há algum tempo que andava com vontade de fazer pão em casa. Nunca me aventurei muito por esse mundo, tirando a altura em que tínhamos uma máquina de fazer em pão em casa que usámos durante algum tempo. Ter voltado agora aos blogs, e ter recomeçado a seguir com mais atenção o que outros vão fazendo, fez aumentar esta vontade - principalmente ao ver rubricas como a Vamos Fazer Pão? no Cinco Quartos de Laranja, na qual a Isabel não só publica regularmente receitas para fazer em casa, mas também incentiva toda a gente a experimentar.

A vontade estava, por isso, cá. Só faltava um catalisador - e esse chegou, finalmente, através do Lisboeta, o excelente novo livro do chef Nuno Mendes, altamente recomendável e do qual hei-de falar por aqui em mais detalhe. À medida que folheava o livro ia aumentando o número de receitas que queria experimentar - e assim que cheguei às páginas finais e me cruzei com a receita de pães com chouriço, pensei que tinha de ser desta - tinha mesmo de me aventurar no pão!

A partir daí foi só pôr mãos na massa - e ainda bem. Os pães ficaram óptimos e fizeram sucesso (desapareceram num instante, o que é sempre bom sinal!). E agora que estou “iniciado”, vou ter mesmo de começar a dedicar-me um pouco mais ao pão. Pode ser que em breve comecem a aparecer por aqui outras variedades!




Pão com chouriço e nozes

Ingredientes ( 6 pães )
  • 5g de fermento seco
  • 250g de farinha para pão branco (usei uma strong flour, que tem mais glúten e é ideal para pão)
  • 130g de farinha de centeio
  • 5g de sal
  • 30ml de azeite (mais um pouco para untar)
  • 70g de nozes
  • 200g de chouriço, cortado em fatias finas

  • Comecem por juntar o fermento a 230ml de água tépida numa taça grande, misturando bem até dissolver. Reservem até começar a fazer bolhas à superfície, sinal de que o fermento está activado.

  • Peneirem ambos os tipos de farinha para a mesma taça, juntando também o sal e o azeite. Misturem até todos os ingredientes ligarem e formarem uma massa. Polvilhem a bancada com farinha, deitem-lhe a massa e tendam-na durante 10 minutos. Nessa altura coloquem a massa num recipiente untado com um pouco de azeite, cubram com película aderente e levem ao frigorífico de um dia para o outro (ou por um mínimo de 6 horas).

  • Deitem a massa para uma bancada (novamente polvilhada com um pouco de farinha) e tendam por mais 5 minutos. Juntem as nozes trituradas grosseiramente. Formem uma bola com a massa e voltem a colocar num recipiente untado com azeite, cobrindo com uma toalha de cozinha. Deixem a repousar (desta vez fora do frigorífico) até estar mais ou menos com o dobro do tamanho.

  • Agora já está quase - liguem o forno a 250° (ou 230° em forno ventilado). Dividam a massa em 6 pedaços do mesmo tamanho. Com os dedos, estendam cada pedaço de massa num quadrado com cerca de 10cm de lado. Coloquem fatias de chouriço em linha ao meio do quadrado. Dobrem a massa de cada um dos lados sobre o chouriço (como se dobrassem uma folha de papel em três) e façam pressão para que feche bem. Coloquem com a junta para baixo num tabuleiro de forno previamente polvilhado com farinha - polvilhem também o topo dos pães. Levem ao forno por 8 minutos. Nessa altura baixem a temperatura para 200° (ou 180° ventilado) e cozinhem por mais 15 a 20 minutos.

  • Retirem e deliciem-se!

Caril de camarão

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Escrito por Bruno



Num daqueles dias em que nos apercebemos que já não falta muito para o almoço e não temos nenhuma ideia sobre o que fazer, encontrei esta receita na revista do supermercado Waitrose. E ainda bem - é um prato simples de fazer, muito saboroso, e que deu uma refeição aprovadíssima.

Acompanhei com arroz basmati, cozinhado com um pouco de creme de coco, para dar sabor.



Caril de camarão

Ingredientes ( 4 pessoas )
  • 1 colher de chá de óleo de coco
  • 1 cebola, cortada em rodelas finas
  • 2 dentes de alho, esmagados
  • 15g de gengibre, cortado em palitos finos
  • 1 colher de sopa de concentrado de tomate
  • 1 colher de chá de caril em pó
  • 2 tomates, cortados em cubos
  • 400ml de leite de coco
  • 300g de miolo de camarão
  • sal
  • pimenta
  • ½ lima, raspa e sumo
  • coentros

  • Comecem por aquecer o óleo de coco numa frigideira, sobre lume médio. Assim que estiver quente, juntem as rodelas de cebola, o alho e o gengibre, e deixem cozinhar até a cebola começar a caramelizar. Juntem então o concentrado de tomate e o caril em pó e deixem cozinhar, mexendo bem, durante mais uns dois minutos. Nessa altura, juntem o tomate e o leite de coco e deixem fervilhar por 10 minutos, até reduzir o líquido.

  • Juntem o camarão e deixem cozinhar por mais 3 a 4 minutos, até os camarões estarem cozidos. Temperem com sal e pimenta. Acrescentem a raspa e o sumo da lima. Terminem com os coentros picados e sirvam imediatamente.

Gelado de figo

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Escrito por Bruno



Andava à procura de receitas de gelados de Outono quando encontrei, no site da Saveur, esta receita de gelado de figo. Atraiu-me o gelado em si, de aspecto cremoso, misturado com aquele vermelho vivo dos figos - e atraiu-me a receita, que parecia simples e sem necessidade de grandes complicações para fazer brilhar o sabor. Tinha de experimentar.

O gelado é mesmo bom, pelo menos para quem gosta de figos. E é tão simples - a base é um gelado de nata, que só por si já é uma pequena maravilha, cremoso como poucos. Juntando-lhe a polpa dos figos desfeita numa calda de açúcar e mel, obtém-se um gelado que apetece comer e repetir, com uma textura perfeita, um sabor doce e perfumado, ideal para as noites cada vez mais frias deste Novembro.

E era mesmo disso que eu estava à procura - o perfeito gelado de Outono!


Gelado de figo

Ingredientes
  • 450g de figos frescos, cortados em quartos
  • 60ml de mel
  • 2 colheres de sopa de açúcar amarelo
  • 1.5 colheres de sopa de sumo de limão
  • sal
  • 1 pau de canela
  • 100g de açúcar
  • 2 gemas de ovo
  • 350ml de natas
  • 120ml de leite
  • extracto de baunilha

  • Numa panela, juntem os figos, o mel, o açúcar amarelo, o sumo de limão, umas pedrinhas de sal, o pau de canela e cerca de 80ml de água. Levem a lume médio/alto até começar a ferver. Nessa altura reduzam o lume e deixem cozinhar durante cerca de meia hora, mexendo de vez em quando, até os figos começarem a desfazer-se e a consistência começar a ficar espessa, como uma espécie de geleia. Triturem bem com uma varinha mágica e reservem.

  • Usando uma batedeira, batam bem os 100g de açúcar com as gemas durante cerca de 5 minutos, até formar um creme amarelo pálido. Juntem o sal, as natas, o leite e algumas gotas de essência de baunilha, continuando a bater até todos os ingredientes ligarem e a nata começar a espessar ligeiramente. Deitem o preparado numa máquina de gelados e sigam as instruções do fabricante.

  • Deitem o gelado de nata num recipiente, juntem os figos e misturem bem. Levem ao congelador até ficar firme. Retirem cerca de 10 a 15 minutos antes de servir.

Bolo de chocolate e azeite

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Escrito por Bruno



Desde que vi esta receita no Smitten Kitchen, o incontornável blog da Deb Perelman (a sério, sigam-na se ainda não o fazem) que fiquei mortinho por experimentar. Para já porque o bolo tinha um aspecto delicioso, mas também pelos ingredientes, que eram fora do normal, pelo menos para mim. Um bolo sem manteiga, sem ovos, com azeite - e uma colher de vinagre!

Os dias iam passando, e a receita enchia-se de comentários de pessoas que tinham experimentado o bolo - e adorado. E a minha vontade de tentar também crescia com eles. Acabei finalmente por fazê-lo, seguindo fielmente a receita - com a única excepção da decoração. A Deb Perelman usa apenas a cobertura, mas achei que ficava bem juntar alguma fruta e não me arrependi - gosto muito do toque fresco e sumarento das framboesas em conjunto com o chocolate. Aliás, usei as framboesas da segunda vez - o bolo é tão bom que já o fiz duas vezes (e da primeira vez usei mirtilos, que também ficaram óptimos).



Bolo de chocolate e azeite

Ingredientes
  • 195g de farinha sem fermento
  • 60g de cacau em pó
  • 1 colher de chá de bicarbonato de sódio
  • ½ colher de chá de sal
  • 150g de açúcar branco
  • 145g de açúcar escuro
  • 120ml de azeite
  • 355ml de água ou café (usei água com algumas colheres de chá de café solúvel misturado, para dar algum sabor)
  • 15ml de vinagre
  • Algumas framboesas, para decorar

  • Para a cobertura:
  • 135g de pepitas de chocolate
  • 10g de cacau em pó
  • 45ml de azeite
  • 20g de corn syrup ou golden syrup
  • uma pitada de sal

  • Aqueçam o forno a 180°. Forrem o fundo de uma forma redonda de 22cm com papel vegetal e untem o bordo com manteiga.

  • Numa taça grande juntem a farinha, o cacau, o bicarbonato, o sal e o açúcar branco e misturem bem com uma vara de arames. Juntem o açúcar escuro e o azeite e voltem a misturar até ligarem bem. Finalmente, juntem a água e o vinagre e mexam com a vara até estar completamente misturado (a massa ficará bastante líquida).

  • Deitem a massa na forma e levem ao forno por 30 a 35 minutos, até um palito espetado no centro sair seco. Retirem do forno e deixem arrefecer por uns minutos até conseguirem desenformar.

  • Entretanto preparem a cobertura - juntem todos os ingredientes numa taça e derretam no microondas, em intervalos de 15 segundos, mexendo bem entre cada intervalo até estar completamente derretido. Mexam com uma vara de arames até obterem uma consistência suave. Deitem então sobre o bolo, cobrindo-o completamente e deixando escorrer pelos lados.

  • Decorem com framboesas (ou mirtilos), se desejarem.

Lombinho de porco com batata-doce e castanhas

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Escrito por Bruno


Chegou o Outono, e com ele os ingredientes próprios da época. A temperatura desce (enfim, pelo menos aqui em Londres) e começa a apetecer outro tipo de comidas - comida aconchegante, que nos aqueça e nos ajude a enfrentar os dias cada vez mais curtos.

Este prato tem alguns dos melhores sabores de Outono, e a vantagem de ser um prato de forno - ideal para preparar, deixar a cozinhar e ir conversar, ou abrir uma garrafa de vinho, ou petiscar qualquer coisa enquanto se espera. Comida simples, comida generosa e boa. O molho do assado é extraordinário - é melhor ter algumas fatias de um bom pão à mão, porque vai apetecer molhá-lo na travessa...



Lombinho de porco com batata-doce e castanhas

Ingredientes ( 6 pessoas )
  • 3 lombinhos de porco
  • 2 colheres de chá de colorau
  • 6 dentes de alho, picados
  • 2 folhas de louro
  • coentros em pó
  • sal
  • pimenta
  • 300ml de vinho branco
  • 1kg de batata-doce
  • azeite
  • 3 colheres de sopa de mel
  • 3 colheres de sopa de mostarda
  • 3 colheres de sobremesa de banha
  • 500g de castanhas, previamente cozidas

  • Na véspera, coloquem os lombinhos numa assadeira e juntem-lhes o colorau, os alhos, as folhas de louro, os coentros em pó, sal, pimenta e o vinho branco. Misturem bem, cubram com película aderente e deixem a marinar no frigorífico de um dia para o outro.

  • No dia seguinte, liguem o forno a 180°. Descasquem as batatas e cortem em cubos pequenos. Deitem num tabuleiro de forno, temperem com sal e levem ao forno por cerca de 1 hora.

  • Enquanto as batatas assam, deitem um fio de azeite numa frigideira e levem ao lume. Retirem os lombinhos da marinada (mas guardem o líquido) e, assim que a frigideira estiver bem quente, fritem-os rapidamente, só até ganharem cor de todos os lados. Voltem a colocá-los na assadeira.

  • Entretanto façam uma mistura com o mel e a mostarda e usem-na para cobrir bem os lombinhos. Voltem a juntar o líquido da marinada, coloquem uma colher de sobremesa de banha sobre cada lombinho, reguem com um pouco de azeite e levem ao forno durante cerca de 45 minutos. Passados cerca de trinta minutos, juntem as castanhas.

  • Sirvam os lombinhos fatiados, acompanhados das castanhas e da batata-doce.

Cheeseburger com bacon

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Escrito por Bruno



Há alturas em que os hamburgers de fast food (McDonald's, Burger King, Five Guys…) são uma escolha válida, principalmente quando o tempo é um factor importante. No entanto, em termos de hamburgers, a minha preferência vai para as hamburguerias que tratam a comida um pouco melhor - e com um pouco mais de tempo -, seja para combinações de sabores mais clássicas (o hamburger simples, o cheeseburger) ou mais elaboradas, onde a criatividade consegue criar algumas ideias bem interessantes. Aliás, a multiplicação de restaurantes oferecendo aquilo a que acabou por se chamar “hamburger gourmet” é um bom sinal de que o fast food deixou de ser a única opção generalizada - e todos nós ficamos a ganhar.

Sendo uma comida tão simples - carne picada no pão -, o hamburger é extraordinariamente versátil. Fazê-lo em casa tem a vantagem de podermos escolher exactamente os ingredientes que queremos usar e em que quantidades, ajustando o sabor final ao gosto de cada pessoa. Vale a pena preparar uma quantidade maior de hamburgers do que a que planeamos usar, congelando alguns para próximas refeições. Assim, sempre que voltar a apetecer, basta descongelar, preparar os acompanhamentos e cozinhar tudo - e essa é a parte rápida. Não tanto quanto o fast food, mas muito mais saboroso.

Neste caso, não inventei muito - este hamburgers são basicamente cheeseburgers com bacon. Mas têm alguns toques interessantes - a cerveja adicionada ao hamburger, o molho com whiskey a ir um pouco para lá de uma simples mistura de maionese e ketchup. Claro que não é a mais saudável das escolhas para um almoço. Mas, às vezes, sabe mesmo bem.



Cheeseburger com bacon

Ingredientes ( 6 a 8 pessoas )
  • 1 cebola, picada
  • 1 colher de sopa de manteiga
  • 800g de carne de vaca picada
  • 80ml de cerveja stout (usei Guinness)
  • 2 colheres de sopa de pão ralado
  • 2 colheres de chá de salsa picada
  • 10g de queijo parmesão, ralado
  • sal
  • pimenta
  • cebola roxa, cortada em rodelas muito finas, ½ cebola por hamburger
  • pickles de pepino (cornichons, ou gherkins), algumas rodelas por hamburger
  • fatias finas de bacon fumado, 1 por hamburger
  • fatias de queijo, 1 por hamburger (usei Red Leicester)
  • pão de hamburger
  • maionese, 2 colheres de sopa por hamburger
  • ketchup, 1 colher de sopa por hamburger
  • molho inglês (Worcestershire sauce)
  • whiskey (usei Bourbon)

  • Comecem por derreter a manteiga numa frigideira em lume brando. Juntem a cebola picada e cozinhem até amolecer. Retirem e deixem arrefecer.

  • Deitem a carne picada e a cebola numa taça grande. Juntem a cerveja, o pão ralado, a salsa picada e o queijo. Temperem com sal e pimenta e misturem muito bem, usando as mãos ou um garfo.

  • Façam bolas com a mistura de carne (o tamanho depende de quão grandes preferem os vossos hamburgers). Coloquem as bolas num prato e pressionem no topo, fazendo-as achatar um pouco. Se quiserem, envolvam alguns dos hamburgers em película aderente e congelem para mais tarde - levem os restantes ao frigorífico por pelo menos uma hora, para aguentarem melhor a forma quando os cozinharem.

  • Coloquem uma frigideira em lume médio e deitem-lhe as fatias de bacon, sem as sobrepor. Fritem de ambos os lados até estarem bem tostadas e estaladiças. Reservem. Aproveitem também para cortar a cebola roxa e os pepinos em rodelas finas, se ainda não o tiverem feito.

  • Levem uma frigideira grill a lume médio/alto. Assim que estiver bem quente, coloquem-lhe os hamburgers e deixem cozinhar, sem lhes mexer, durante 3 minutos. Passado esse tempo, virem-nos com uma espátula, coloquem uma fatia de queijo e outra de bacon sobre cada um e deixem cozinhar por mais 4 minutos. Passado esse tempo, retirem do lume e reservem por alguns minutos - enquanto esperam, abram os pães e aproveitem o grill para os tostar, com o lado cortado para baixo.

  • Finalmente, preparem o molho, misturando bem a maionese com o ketchup, algumas gotas de molho inglês e um toque de whiskey.

  • Finalmente, a montagem do hamburger - cubram a base do pão com o molho e coloquem o hamburger por cima. Sobre este (bom, sobre o queijo e o bacon) coloquem o pickle de pepino seguido da cebola roxa. Finalmente, cubram com o topo do pão. Sirvam imediatamente, com batatas fritas (caseiras de preferência - no meu caso usei batata-doce “frita” no forno).

Chanterelles fritos com chouriço

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Escrito por Bruno



Um dos nossos programas de fim-de-semana preferidos, especialmente quando o tempo ajuda, é dar um salto ao mercado. A poucos quilómetros de casa temos a vila de Kingston-Upon-Thames, que tem um óptimo mercado ao ar livre - não muito grande, mas com umas quantas bancas com muito boa fruta, legumes e óptimo pão. Há também várias bancas de comida de rua, o que faz com que seja ideal para comprar frescos no mercado e depois sentar a almoçar ao ar livre.

Num destes fins-de-semana demos um salto ao mercado e valeu bem a pena. Trouxe marmelos, romãs, figos, morangos, framboesas - e encontrei à venda cogumelos chanterelle, com muito bom ar. Por impulso, resolvi comprar uns poucos, sem saber muito bem o que iria fazer com eles. Quando cheguei a casa, pus-me a pesquisar à procura de ideias, e acabei por resolver fazê-los assim, simples, salteados, com o chouriço a ajudar ao sabor.

Serviu de entrada ao jantar, e foi uma óptima escolha. O chouriço ficou crocante, as pontas dos cogumelos também, e o sabor estava óptimo. Hei-de voltar ao mercado para ver se ainda consigo encontrar mais uns quantos!



Chanterelles fritos com chouriço

Ingredientes ( 2 pessoas )
  • 100g de cogumelos chanterelle
  • rodelas de chouriço
  • azeite
  • 1 colher de chá de manteiga
  • sal
  • pimenta
  • sumo de limão

  • Limpem bem os cogumelos. Se necessário, cortem os maiores ao meio, para ficarem em porções mais pequenas. Cortem também as rodelas de chouriço em cubinhos pequenos.

  • Aqueçam um fio de azeite numa frigideira e deitem-lhe uma pequena colher de manteiga. Assim que estiver bem quente, juntem os cogumelos e temperem com sal e pimenta. Deixem fritar durante 1 ou 2 minutos e juntem o chouriço. Fritem até as pontas dos cogumelos - e o chouriço - estarem crocantes.

  • No final, espremam um pouco de sumo de limão sobre os cogumelos, para refrescar, e sirvam.

Marshmallows de framboesa

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Escrito por Bruno


Não sendo um doce que se encontre muito em Portugal, os marshmallows são bastante populares aqui em Inglaterra, especialmente em feiras ou festas - e principalmente nos meses frios. São óptimos aquecidos sobre fogo até começarem a derreter, e, se feitos em casa, sabem ainda melhor. São também bastante versáteis, sendo fácil acrescentar sabores à receita-base, que não é mais que uma mistura de açúcar, claras em castelo e gelatina.

Esta receita saiu bem, e rendeu cerca de 30 a 40 marshmallows. Usei um maçarico para os queimar, mas a chama do fogão também serve bem. Ou uma fogueira ao ar livre, se tiverem acesso fácil a uma!

Uma nota sobre o golden syrup - este é um tipo de calda de açúcar invertido, que ajuda a evitar que se formem cristais de açúcar, logo ajuda a que o ponto de rebuçado esteja estável e suave. Em alternativa, pode-se usar corn syrup ou xarope de glucose.



Marshmallows de framboesa

Ingredientes ( 30 a 40 marshmallows )
  • 300g de framboesas frescas
  • 100g de açúcar em pó
  • 440g de açúcar
  • 160ml de golden syrup
  • 2 claras de ovo
  • 36g de gelatina em pó
  • óleo vegetal
  • maisena
  • framboesas desidratadas, trituradas

  • Deitem as framboesas num tachinho, juntem o açúcar em pó e três colheres de sopa de água. Levem a lume médio e deixem ferver uns minutos. Passem num passador e reservem.

  • Noutro tacho, juntem os 440g de açúcar ao golden syrup e cubram com água. Levem a lume brando, mexendo bem até o açúcar dissolver. Nessa altura subam o lume até ferver e levem a ponto de rebuçado (129° - uma pena não ser ponto de espadana, mas enfim :) ). Retirem do lume.

  • Batam as claras até estarem firmes e deitem a calda de açúcar lentamente, continuando sempre a bater. Sem desligar a batedeira, juntem a gelatina em pó e o puré de framboesa, continuando a mexer até começar a engrossar.

  • Cubram um tabuleiro fundo com película aderente e pincelem-na com óleo (para que os marshmallows não peguem à película). Deitem a mistura para o tabuleiro e cubram com película aderente (também untada com óleo). Deixem repousar por uma ou duas horas num local fresco e seco, até endurecer.

  • Retirem do tabuleiro e removam a película aderente. Com uma faca serrilhada, cortem em cubos - estes estarão bastante pegajosos, por isso passem-nos pela maisena e enfeitem com as framboesas desidratadas. Sirvam, de preferência ligeiramente tostados ao fogo. Podem guardá-los no frigorífico, em recipiente fechado, por cerca de uma semana.

Penne improvisados com cogumelos, chouriço, pesto e pistácios

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Escrito por Bruno



A 25 de Outubro de 2005, em Roma, foi fundada a International Pasta Organisation, uma associação internacional sem fins lucrativos de produtores de massa. Talvez a acção mais visível desta associação tenha sido propôr o dia da sua fundação para ser o Dia Mundial da Massa - World Pasta Day. A ideia pegou e, a cada 25 de Outubro, as secções de curiosidades de alguma imprensa - bem como contas de Instagram e Facebook por esse mundo fora - enchem-se de conteúdos sobre a pasta, um dos principais legados que Itália deu ao mundo.

Nunca liguei a este dia, mas este ano apeteceu-me "celebrar", cozinhando massa - embora só a esteja a publicar hoje, esta foi a receita que fiz no dia 25. E é uma comida ideal para fazer a um dia de semana - é uma massa que já faço há anos, sempre adaptada ao que tiver no momento. Já a fiz com pinhões, com chouriço fuet, com halloumi, com outros tipos de massa - e hei-de fazê-la com muitas outras variantes. Mas desta vez saiu assim - cogumelos, chouriço, pesto e pistácios. Acho que o Dia da Massa não terá ficado com razões de queixa!



Penne improvisados com cogumelos, chouriço, pesto e pistácios

Ingredientes ( 4 pessoas )
  • 500g de cogumelos frescos
  • 4 dentes de alho
  • 1 limão, raspa e sumo
  • azeite
  • 500g de penne
  • sal
  • pimenta
  • chouriço (a quantidade que quiserem, esta massa é "a olho")
  • 1 punhado de pistácios
  • 150g de pesto (usei pesto de frasco- quem confessa não merece castigo!)
  • parmesão

  • Comecem por limpar bem os cogumelos e cortar ao meio os maiores. De seguida, juntem num almofariz os dentes de alho, a raspa do limão e bastante azeite. Esmaguem bem até obterem uma espécie de pasta - usem-na para pincelar bem os cogumelos.

  • Levem ao lume uma panela com bastante água e um bom punahdo de sal e levantem fervura. Quando ferver, deitem-lhe a massa e deixem cozer de acordo com o tempo indicado na embalagem. Ao mesmo tempo, aqueçam uma frigideira em lume forte - a ideia é fazerem o molho enquanto a massa ferve, por isso tentem conjugar os tempos dependendo do tempo que a massa levar (é mais simples usar massa fresca, que coze em bastante menos tempo).

  • Deitem os cogumelos na frigideira, temperando com um pouco de sal e pimenta. Enquanto eles cozinham, cortem o chouriço às rodelas, e cada rodela em tiras pequenas. Passados 2 ou 3 minutos, juntem o chouriço aos cogumelos e deixem fritar um pouco. Deitem os pistácios e o sumo de limão por cima e deixem cozinhar até apurar o sabor - o aroma deve estar óptimo por esta altura.

  • Entretanto a massa deverá estar cozida. Retirem do lume e escorram. Juntem-na ao molho na frigideira e envolvam bem. Deitem o pesto por cima, misturem mais uma vez e deitem no recipiente onde vão servir. Terminem ralando parmesão sobre a massa e sirvam imediatamente.

Negroni

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Escrito por Bruno



O Negroni está na moda. À noite, em locais que servem cocktails, é muito comum ver copos com o inconfundível tom avermelhado desta mistura perfeita de gin, campari e vermute tinto. E ao contrário de tantas outras modas, esta é justificada.

Conta a lenda que o Negroni foi inventado em Florença, no início do século XX, quando o Conde Camillo Negroni entrou no Caffè Casoni e pediu que lhe fizessem um Americano (gin, vermute tinto e água com gás), mas um pouco mais forte, com gin em vez de água (tudo fica melhor com um pouco de gin, convenhamos). O cocktail herdaria o nome do Conde e chegaria assim aos nossos dias.

Fazer um Negroni não tem muito que saber - basta juntar iguais quantidades dos três ingredientes, colocar uma pedra grande de gelo e um twist de casca de laranja (ou uma rodela). Limão também serve (não tinha laranjas em casa quando fiz o da foto, por isso foi mesmo com limão). Como de costume em cocktails, há umas quantas variações a partir da receita original: usando prosecco em vez de gin obtém-se um Negroni Sbagliato; com whiskey em vez de gin passa a ser um Boulevardier (que recomendo!); um Old Pal usa vermute branco em vez de tinto e whiskey de centeio canadiano em vez de gin... e por aí fora. Mas o original é incontornável - e tão simples de fazer que não há desculpa para não o experimentar.



Negroni

Ingredientes ( 1 cocktail )
  • 30cl de gin
  • 30cl de vermute tinto
  • 30cl de Campari

  • Coloquem os três ingredientes num copo old fashioned (copo baixo, com fundo grosso). Juntem uma ou mais pedras grandes de gelo e mexam com uma colher durante alguns segundos.

  • Enfeitem com uma rodela ou um twist de casca de laranja.

Asas de frango com cogumelos

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Escrito por Bruno


Há uns anos, encontrei numa loja um livro de culinária que não conhecia e que me pareceu muito interessante. Chamava-se "The Family Meal - Home Cooking With Ferran Adrià" e era um livro de receitas do famoso cozinheiro espanhol, mas em vez de serem as receitas que servia no El Bulli (que ainda estava aberto na altura), o livro apresentava antes as receitas que a equipa do restaurante preparava para as suas refeições antes de começarem a servir os clientes. Assim sendo, são receitas simples, agrupadas em ementas de entrada, prato principal e sobremesa, e fáceis de fazer por qualquer pessoa em casa. Ainda assim, como não podia deixar de ser num livro de Ferran Adrià, há aqui variantes interessantes sobre pratos clássicos. E até hoje, das receitas que experimentei, nenhuma saiu mal e todas valeram bem a pena.

Esta é uma das receitas do livro. O frango fica óptimo, os cogumelos combinam muito bem - e não é nada difícil. Não há aqui a famosa cozinha molecular de Adrià, só comida simples, honesta e generosa. E às vezes é mesmo isso que apetece.



Asas de frango com cogumelos

Ingredientes ( 4 pessoas )
  • 12 asas de frango
  • sal
  • pimenta
  • azeite
  • 240g de cogumelos (usei shiitake, mas fica muito bem com shimeji, se os conseguirem encontrar)
  • 8 dentes de alho (eu sei, parece muito, mas Adrià usa 20 dentes de alho na receita dele!... preferi reduzir um pouco a quantidade)
  • 2 folhas de louro
  • tomilho
  • 120ml de vinho branco
  • 100ml de água

  • Preparem as asas cortando as pontas com uma tesoura e cortando a asa pela articulação, separando-a em duas partes. Temperem-nas com sal e pimenta.

  • Levem uma frigideira grande ao lume e deitem-lhe um fio de azeite. Quando estiver quente, deitem-lhe as asas e fritem em lume brando/médio durante cerca de meia-hora, virando-as várias vezes, até estarem douradas por todos os lados.

  • Enquanto as asas fritam, limpem bem os cogumelos - se houver alguns maiores, cortem-nos ao meio. Piquem também os dentes de alho.

  • Quando as asas estiverem prontas, juntem o alho à frigideira e deixem cozinhar por mais cinco minutos. Nessa altura, juntem o louro e algumas hastes de tomilho, deitem o vinho branco, subam o lume e deixem cozinhar até o vinho reduzir um pouco. Com uma colher de pau, aproveitem para soltar algumas partes que tenham colado ao fundo da frigideira - essas partes dão muito sabor ao molho que se vai formando no fundo.

  • Finalmente, juntem os cogumelos, deixem cozinhar por cerca de 2 minutos, mexendo bem, até os cogumelos reduzirem de volume. Nessa altura, juntem a água, misturem bem e deixem fervilhar por mais cinco minutos. Retirem do lume e sirvam.

Creme de Ervilhas com Presunto e Hortelã

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Escrito por Bruno



Levar os miúdos para a cozinha é sempre importante. Ensinar-lhes os básicos, mostrar-lhes como os ingredientes vão tomando forma e transformando-se naquilo que iremos comer, mostrar-lhes as técnicas, deixá-los ajudar e fazê-los sentir que aquele prato que vai para a mesa também é um pouquinho deles.

Os dois rapazes cá de casa adoram pôr um avental e ajudar - e foi por isso que gostei muito da ideia da revista SÁBADO de publicar a colecção Sim, Chef!. São cinco livros com receitas de outros tantos chefs e dos seus filhos, pensadas especialmente para cozinhar com as crianças - mas sem concessões de sabores e qualidade. Até ao momento, já foram publicados três números, com os chefs Bertílio Gomes, Marlene Vieira e Tanka Sapkota. Os dois números que faltam trarão Leonel Pereira e Paulo Morais.

A receita de hoje é do livro da chef Marlene Vieira (e da sua filha Isabel) e, desta vez, foi cozinhada pelos rapazes, só com a minha ajuda quando necessário. Segundo eles, é a melhor sopa que já comeram (e sim, é mesmo muito boa!).



Creme de Ervilhas com Presunto e Hortelã

Ingredientes ( 4 pessoas )
  • 150g de cebola
  • 150g de alho-francês
  • 2dl de azeite
  • 500g de ervilhas
  • sal
  • 4 fatias finas de presunto
  • 4 folhas de hortelã
  • croûtons
  • rebentos de ervilha

  • Comecem por cortar a cebola e o alho-francês em pedaços. Deitem-nos numa panela, juntamente com o azeite, e refoguem em lume brando por 10 minutos.

  • De seguida, deitem as ervilhas na panela e temperem com sal a gosto. Juntem água até cobrir as ervilhas e acrescentem uma fatia de presunto. Cozinhem durante cinco minutos.

  • Finalmente, juntem as folhas de hortelã, retirem do lume e triturem muito bem com a varinha mágica até ficar bastante cremoso. Sirvam o creme com um fio de azeite, acompanhado de croûtons, alguns rebentos de ervilha e o restante presunto desfiado.

Espargos com cebolinha e queijo de cabra

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Escrito por Bruno



Nunca me canso de dizer isto - as coisas simples são tantas vezes as melhores. Pegar num molho de espargos, numas quantas cebolinhas, num bom queijo de cabra e, num instante, ter uma entrada destas pronta. Fresca, saudável, apetitosa.

A receita não é minha - encontrei-a num fantástico livro publicado pela Riverford, uma empresa que entrega cabazes e produtos orgânicos sazonais aqui em Inglaterra, com uma óptima qualidade e muita variedade. O livro é uma colecção de receitas para vegetais de Primavera e Verão (há também uma versão de Outono e Inverno) e é muito bom para tirar ideias sobre o que fazer com aqueles legumes que trouxemos do mercado porque tinham mesmo óptimo aspecto.

Uma nota sobre o queijo de cabra - o melhor é usar um queijo que seja duro e fácil de esfarelar. No meu caso usei um queijo de cabra tipo cheddar, envelhecido em gruta, que é uma pequena maravilha, mas qualquer outro serve - e se não encontrarem de cabra, podem facilmente substituí-lo por outro que vos pareça bem.



Espargos com cebolinha e queijo de cabra

Ingredientes ( 4 pessoas )
  • 1 bom molho de espargos
  • azeite
  • sal
  • pimenta preta
  • 4 a 6 cebolinhas
  • ½ limão
  • 50g de queijo de cabra

  • Liguem o forno a 210°. Preparem os espargos, partindo os talos pela ponta mais dura. Se houver alguns mais grossos, cortem-nos ao meio ao longo do comprimento, para ficarem todos mais ou menos da mesma espessura.

  • Coloquem os espargos num tabuleiro de forno, deitem um fio generoso de azeite e temperem com sal e pimenta. Levem ao forno por cerca de 8 a 12 minutos. Enquanto esperam, cortem a raiz das cebolinhas, retirem as pontas e a pele exterior do talo. Cortem em rodelas finas e reservem.

  • Assim que os espargos estiverem prontos, retirem-nos do forno, espremam o sumo do limão por cima, juntem as cebolinhas cortadas e o queijo esfarelado em pedaços. Sirvam imediatamente.

Pizza caseira com tomate, burrata, presunto e manjericão

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Escrito por Bruno



Pizza é sempre uma boa opção para aqueles dias em que não se tem tempo para (ou não apetece) fazer nada muito elaborado. É prático mandar vir ou cozinhar uma pizza de supermercado já pronta, mas a melhor opção é sempre fazer a nossa própria pizza, de preferência de raiz, com massa caseira.

Fazer massa de pizza é muito menos complicado do que pode parecer à primeira vista. Demora algum tempo, porque a massa tem que fermentar (idealmente de um dia para o outro), mas a vantagem é que se pode fazer mais quantidade do que a que precisamos, congelando o excesso. Assim, de cada vez que vos apetecer pizza, só têm de se lembrar de deixar uma bola de massa a descongelar.

Outro ponto importante é o forno - acho que não estou enganado se disser que a maioria das pessoas não tem acesso fácil em casa a um forno a lenha (se tiverem, óptimo!). Sendo assim, um forno normal tem de servir, embora não consiga gerar uma temperatura tão elevada. Há algumas técnicas para conseguir que a massa coza perfeitamente, por cima e por baixo. A que parece ter mais sucesso é a da frigideira de ferro - liga-se o grill do forno na temperatura máxima, leva-se uma frigideira de ferro ao lume do fogão até estar bem quente e coloca-se a massa da pizza, já estendida, na frigideira durante cerca de um minuto, para que coza por baixo. Enquanto coze vão-se colocando os vários ingredientes sobre a massa e, no final, mete-se a frigideira directamente no forno, na prateleira de cima, para que o grill coza o topo da massa. Como infelizmente não tenho uma frigideira de ferro, não pude experimentar esta solução, por isso usei a alternativa - liguei o forno na temperatura máxima, tendo primeiro invertido um dos tabuleiros. Assim que a temperatura chegou ao máximo, passei para o grill, também no máximo. Estendi a pizza sobre uma folha de papel vegetal, retirei o tabuleiro invertido do forno e coloquei a pizza sobre ele (mantendo-o invertido, ou seja, a pizza ficou sobre o fundo do tabuleiro). O tabuleiro deverá estar tão quente que começa a cozinhar a base da pizza. Coloquei então os ingredientes da cobertura e levei novamente ao forno para terminar de cozinhar. O resultado não é o mesmo que o de um forno a lenha, mas é suficientemente bom para uma pizza caseira.

Uma nota final sobre os ingredientes - as quantidades para a massa dão para 4 pizzas de tamanho médio. Geralmente faço sempre esta quantidade, mesmo que só use o necessário para uma ou duas pizzas - envolvo o resto da massa em película aderente e congelo, para usar noutro dia. Quanto aos ingredientes para a cobertura, indico apenas o necessário para uma pizza. As quantidades são muito vagas, porque geralmente uso o que tiver à mão. A cobertura de uma pizza não é uma ciência exacta e ponho sempre os ingredientes a olho - umas colheres de molho de tomate, uma mozzarella ou outro queijo semelhante (desta vez usei burrata, que é mais cremoso) "rasgado" com as mãos sobre a massa, uns tomates-cereja, umas fatias de presunto, algum manjericão. Usem esta lista mais como inspiração - e mudem o que vos apetecer.



Pizza caseira com tomate, burrata, presunto e manjericão

Ingredientes

  • Para a massa da pizza (suficiente para 4 pizzas):
  • 5.6g de fermento de padeiro granulado
  • 420g de água tépida
  • açúcar
  • 700g de farinha tipo '00'
  • 7g de sal
  • azeite

  • Para a cobertura (exemplo para 1 pizza)
  • polpa de tomate
  • 1 burrata
  • 1 mão-cheia de tomates-cereja
  • algumas fatias de presunto
  • manjericão

  • Comecemos pela massa - juntem o fermento e a água tépida, deitem-lhe um nadinha de açúcar e deixem repousar durante 10 minutos. Passado esse tempo deverão ver bolhas à superfície - é sinal que o fermento está activo e pronto a usar.

  • Façam um monte com a farinha na bancada (ou numa taça grande), façam um buraco no meio e deitem-lhe a água misturada com o fermento. Juntem umas pedras de sal e comecem a amassar até a massa ligar completamente. Continuem a amassar durante cerca de 10 minutos, até estar suave e elástica (se sentirem que se está a pegar à bancada, polvilhem-na com farinha).

  • Peguem noutro recipiente grande, untem com um pouco de azeite e coloquem-lhe a bola de massa, rodando-a para que fique coberta de azeite. Ponham um pano húmido por cima e deixem umas horas (idealmente de um dia para o outro) num sítio com pouca luz e sem variações de temperatura (coloquei dentro do forno - desligado, claro). A massa deverá crescer bastante, graças à acção do fermento.

  • Assim que a massa estiver pronta, cortem-na em quatro porções e guardem as que não vão usar (costumo cobri-las com película aderente e congelá-las).

  • Agora a pizza - comecem por ligar o forno na temperatura mais alta que conseguirem, virando um dos tabuleiros ao contrário dentro do forno. Assim que chegar à temperatura máxima, passem para o grill, também no máximo. Entretanto, peguem na bola de massa e espalmem-na ligeiramente num disco. E agora é preciso esticá-la - o mais simples é usar o rolo da massa, mas a verdadeira tradição napolitana é usar as mãos. Prefiro esta forma, porque consegue-se manter o ar da massa, principalmente no bordo, algo que é impossível usando um rolo (nota importante: o ideal é fazerem isto sobre uma folha de papel vegetal - facilita bastante quando tiverem de passar a pizza para o forno). Com as mãos começa-se por ir empurrando gentilmente o centro do disco, empurrando o ar em direcção ao bordo. Faz-se isto até o disco ter o tamanho da palma da mão e a partir daí apoia-se uma mão na massa e, com a outra mão, puxa-se ligeiramente a massa por baixo, esticando-a e voltando-a sobre a outra mão, dando-lhe um quarto de volta. Volta-se a pousar e repete-se, até estar completamente esticada. Este vídeo explica bem melhor do que a minha descrição! :D


  • Assim que a massa estiver pronta, retirem com cuidado o tabuleiro invertido do forno e passem a base de pizza para o topo do tabuleiro. Espalhem a polpa de tomate por cima, e partam a burrata em pedaços com as mãos, espalhando-os mais ou menos uniformemente. Deitem alguns tomates-cereja cortados ao meio e terminem com farripas finas de presunto. Levem ao forno até estar pronta.

  • No final, cubram com folhas frescas de manjericão e um fio de azeite.

Bolo de limão e mirtilos

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Escrito por Bruno



Há dias ideais para fazer bolos. Geralmente ao fim-de-semana, quase sempre ao domingo à tarde - talvez para tentar prolongar mais um pouco o dia, para melhorar o lanche, para não pensar na segunda-feira que está quase a chegar. Ou, simplesmente, porque sim. Não são precisas grandes razões para fazer um bolo.

Este bolo é simples, rápido e saboroso. A massa não tem floreados, mas os mirtilos e a cobertura glacé de limão dão-lhe todo o sabor. Vai uma fatia?

Encontrei a receita original no Kitchen Stories.



Bolo de limão e mirtilos

Ingredientes ( x pessoas )
  • 1 limão
  • 240g de manteiga sem sal
  • 5 ovos
  • 300g de açúcar
  • essência de baunilha
  • sal
  • 300g de mirtilos
  • 300g de farinha sem fermento
  • 3 colheres de chá de fermento em pó
  • 125g de açúcar em pó

  • Primeiro, alguma preparação: comecem por pré-aquecer o forno a 170°. Forrem uma forma de bolo com papel vegetal e untem com manteiga. Raspem a casca do limão e ponham de parte um pouco, para decorar o bolo no final. Reservem também alguns mirtilos para a decoração. Finalmente, levem a manteiga a lume brando num tachinho e deixem derreter completamente.

  • Com a ajuda de uma batedeira, batam muito bem os ovos, o açúcar, algumas gotas de essência de baunilha, um pouquinho de sal e a raspa de limão. Espremam o sumo de metade do limão (guardem a outra metade) e batam bem, até fazer espuma. Nessa altura, juntem a manteiga derretida e continuem a bater.

  • Deitem alguma farinha sobre os mirtilos e juntem-nos à massa. Juntem também a farinha e o fermento. Misturem um pouco, só o suficiente para a farinha ficar bem misturada. Deitem na forma de bolo e levem ao forno por cerca de uma hora, até um palito espetado no centro sair limpo. Retirem do forno, deixem arrefecer e desenformem.

  • Para o glacé, peneirem o açúcar em pó para um recipiente e misturem com o sumo da outra metade de limão, até ficar com consistência cremosa. Deitem sobre o bolo e deixem escorrer. Decorem com os mirtilos e a raspa de limão que reservaram.

Os primeiros três meses

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Escrito por Bruno

O blog faz hoje três meses, e pareceu-me boa ideia fazer um balanço rápido do que está a ser esta aventura.

Tal como disse no primeiro post, pode parecer estranho criar um blog em 2017, mas continua a ser uma ideia estimulante. Comparando com a minha experiência anterior nos blogs de culinária - o Cozinha com Tomates -, a blogosfera (ainda se usa este termo?...) está agora bastante diferente e menos dinâmica. Nos dias de hoje é quase essencial manter presença regular nas restantes redes sociais, já que o hábito de ver os últimos posts nos blogs que seguimos começou a ser substituído por acompanhá-los no Facebook ou no Instagram.

Ainda assim, tem sido uma óptima caminhada. A intenção do blog nunca foi o número de seguidores, mas sim a partilha de receitas ou ideias em torno delas e a possibilidade de poder discuti-las com outras pessoas. Ou, pelo menos, saber que há quem as leia e se inspire para ir cozinhar. E nesse aspecto, esta experiência está definitivamente a valer a pena. Tenho "conhecido" novas pessoas e descoberto novos blogs - a lista de links ali ao lado tem crescido de forma constante ao longo deste tempo -, o que me faz também encontrar novas receitas e inspirações.

Nestes três meses, publiquei 34 receitas - caramba, já foram assim tantas? Estou definitivamente a cozinhar mais do que cozinhava, o que, espero, me fará cozinhar melhor. E, a propósito, de acordo com as estatísticas do Blogger, a receita mais popular do blog é a do Frango com Mostarda - experimentem a receita, se ainda não o fizeram!

E pronto - quem quiser acompanhar esta viagem pode simplesmente vir espreitar o blog de vez em quando, mas também pode seguir-me no Facebook, onde todos os posts são anunciados, ou no Instagram, onde vão havendo também outras imagens de pratos que vou cozinhando - ou da preparação de receitas que serão publicadas mais tarde. Quem preferir, pode também adicionar o Ponto de Espadana em agregadores como o Bloglovin', o MyTaste, ou o BlogsPortugal.

Ufffffff... É isto. Venham muitos mais meses! :)

Massa com salsicha fresca e castanhas

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Escrito por Bruno


Esta é uma opção ideal para um almoço de Outono. Estamos em Outubro, os dias (pelo menos aqui em Londres) já arrefeceram - e sabe bem uma comida assim, aconchegante, com o sabor das castanhas a combinar na perfeição com a carne e o molho de tomate.

A receita original é da BBC Good Food.

Uma nota em relação à carne - se há coisa que os ingleses fazem melhor do que nós são salsichas frescas. Sempre me fez confusão como é que em Portugal temos uma tradição tão profunda de enchidos fumados, mas tão pouca imaginação nas salsichas frescas - salvo raras excepções, uma salsicha fresca é uma salsicha fresca e é igual em todo o lado. Aqui a variedade de recheios de salsichas frescas é muito maior - há salsichas frescas simples, mas também com maçã, com pimenta preta, com cebola caramelizada, com alho-francês, com bacon, com alperce, com colorau, agri-doces… enfim, uma variedade enorme e muito saborosa, o que faz com que um prato como este possa ser facilmente modificado em termos de sabor. Dito isto, se quiserem modificar a receita à vossa maneira e não tiverem muita variedade de salsichas por onde escolher, podem sempre preparar a vossa própria mistura, juntando os vossos temperos e ingredientes preferidos a uma base de simples carne picada.


Massa com salsicha fresca e castanhas

Ingredientes ( 6 pessoas )
  • 450g de salsichas frescas
  • azeite
  • 1 cebola, picada
  • 200g de castanhas cozidas, picadas grosseiramente
  • 2 dentes de alho, picados
  • 1 ou 2 hastes de alecrim
  • 1 colher de chá de sementes de funcho
  • 1 copo de vinho tinto
  • 500g de puré de tomate
  • 500g de massa (usei conchiglie - búzios -, mas uma massa longa como os tagliatelle ou pappardelle também deve resultar bem)
  • salsa, picada
  • sal
  • pimenta
  • queijo parmesão

  • Dêem um golpe nas salsichas e retirem a carne toda dos invólucros. Reservem.

  • Aqueçam um fio de azeite numa frigideira grande, em lume forte. Deitem-lhe a cebola e deixem fritar por uns minutos até ficar translúcida. Juntem a carne e as castanhas e cozinhem por 10 a 12 minutos, mexendo regularmente com uma colher de pau, com a qual devem também ir “quebrando” a carne em pedaços pequenos.

  • De seguida, juntem o alho, o alecrim e o funcho e cozinhem por mais dois minutos. Nessa altura, deitem o vinho e deixem-no evaporar quase na totalidade. Finalmente, juntem o tomate, baixem o lume, tapem a frigideira e deixem fervilhar por 10 minutos.

  • Enquanto o molho cozinha, cozam a massa em bastante água a ferver com sal, de acordo com os tempos indicados no pacote. No final reservem uma chávena da água da massa e escorram-na bem. Deitem a massa, colheres de sopa da água que reservaram, o molho e metade da salsa picada, misturem bem e temperem com sal e pimenta. Sirvam coberto com a restante salsa e com lascas de parmesão.

Martini

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Escrito por Bruno



É hora de falar do Martini. É possível que esta frase vos traga à cabeça recordações de pedirem um Martini num bar e o barman perguntar "bianco ou rosso?", mas não me refiro a isso. Esse Martini é uma marca italiana de vermute. Bastante popular, sim, mas apenas um vermute (um vinho aromatizado e fortificado) e não um cocktail - e é deste último que vamos falar. Um cocktail. Aliás - O cocktail.

O Martini é provavelmente o mais clássico dos cocktails clássicos. Há inúmeros livros só sobre o Martini e as suas variações. Há estudos científicos sobre a sua preparação (a eterna discussão sobre se o coktail deve ser agitado ou mexido - o shaken, not stirred que os filmes do James Bond tornaram famoso - e eu estou firmemente no campo do mexido; agitar quebra muito mais o gelo, dilui mais a bebida e torna-a mais turva, tudo coisas que não são desejáveis num Martini, diga Bond o que disser).

Mas afinal, o que é o Martini? É a perfeição num copo - gin e vermute branco. Nada mais, nada menos. A complicação vem nas proporções, que foram mudando ao longo dos anos. Desde a proporção de 2 partes de gin para 1 de vermute publicada em 1922 até à preferência do actor e dramaturgo inglês Noël Coward, que defendia que o Martini perfeito era um copo cheio de gin agitado mais ou menos na direcção de Itália, vai todo um mundo. Aliás, parte do gozo deste cocktail está precisamente na necessidade de experimentar vários até acertarmos com as proporções preferidas.

No meu caso pessoal, o equilíbrio perfeito entre o gin e o vermute é este: 50ml de gin, 15 de vermute branco. A acompanhar, um twist de casca de limão ou uma azeitona verde (prefiro o limão). E está feito!



Martini

Ingredientes
  • 50ml de gin
  • 15ml de vermute branco
  • 1 limão

  • Coloquem o copo de Martini (sim, o Martini tem copos próprios. Eu disse que era O cocktail!...) no congelador para estar bem frio na hora de servir.

  • Coloquem o gin e o vermute no shaker ou em qualquer outro copo grande e alto. Encham até cima com muitos cubos grandes de gelo e, com uma colher longa (idealmente uma colher de bar), mexam bem o gelo no copo durante pelo menos 30 segundos - preferencialmente um pouco mais. Retirem o copo do congelador e deitem-lhe o Martini através de um coador.

  • Cortem uma tira fina da casca do limão, torçam-na ligeiramente e com cuidado sobre o cocktail (para que os óleos da casca se libertem) e deitem-no no copo.

Peitos de frango recheados com farinheira, cogumelos e tâmaras

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Escrito por Bruno



Há uns anos fazia esta receita com alguma regularidade. Depois, não sei porquê, acabou por ficar de lado. É estranho como vamos mudando os hábitos alimentares, como receitas novas acabam por substituir outras que já faziam parte da mobília. E, quando isso acontece, sabe bem voltar a reencontrar essas comidas. É bom ver que ainda nos lembramos como se faz e que conseguimos trazer de volta os mesmos sabores.

Este recheio é uma pequena maravilha. Fica muito bem com o frango, e provavelmente ficará bem noutros pratos ou a rechear outro tipo de carnes. Para acompanhamento, usem o que mais vos apetecer. Uma salada fresca é uma opção, por exemplo. Se bem que desta vez fomos mesmo para as batatas assadas que já publiquei aqui no blog - ficaram óptimas!



Peitos de frango recheados com farinheira, cogumelos e tâmaras

Ingredientes ( 4 pessoas )
  • 150g de cogumelos
  • 100g de tâmaras secas
  • 1 farinheira
  • azeite
  • 4 peitos de frango
  • mostarda
  • sal
  • pimenta
  • vinho do Porto

  • Piquem os cogumelos e as tâmaras em separado, e reservem. De seguida, tirem a pele à farinheira e cortem-na também em pedaços. Deitem um fio de azeite numa frigideira, levem ao lume e, quando estiver quente, deitem-lhe os cogumelos. Deixem-nos cozinhar uns minutos, mexendo sempre. Juntem a farinheira e cozinhem por mais uns minutos, usando a colher de pau para a desfazer e misturando bem com os cogumelos. Para terminar, juntem as tâmaras e mexam por mais um minuto ou dois. Retirem do lume e reservem - mas guardem a frigideira, que vão usá-la a seguir.

  • Peguem nos peitos de frango e cortem-nos de lado, como se estivessem a abrir um pão para fazer uma sandes, mas sem separar completamente as duas metades. Recheiem cada peito com o recheio de farinheira, tâmaras e cogumelos. Se necessário, usem palitos para manter o peito de frango mais fechado. Barrem cada peito com mostarda e temperem com sal e pimenta. Deitem um fio de azeite na mesma frigideira onde prepararam o recheio e levem a lume médio. Coloquem-lhe os peitos de frango, salpiquem com um pouco de vinho do Porto e cozinhem, virando quando necessário, até o frango estar pronto.

Mini panna cotta de maçã e amora

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Escrito por Bruno



A cozinha italiana é uma das minhas paixões e tem sido uma influência constante na forma como vou aprendendo a cozinhar. É uma cozinha simples, despretensiosa e generosa, que aproveita os bons ingredientes das melhores formas. Tem muitos pontos de contacto com as nossas tradições, o que faz com que seja fácil e interessante cruzar ideias e sabores e ver o que sai. Para além de tudo isto, é também uma cozinha com óptimas sobremesas!

A panna cotta é um óptimo exemplo. Com um nome que significa literalmente "natas cozidas", é quase só isso - natas, açúcar e gelatina, fervidas durante algum tempo, e levadas ao frigorífico para solidificar. Mas essa aparente simplicidade esconde um potencial criativo enorme - porque o sabor da panna cotta está principalmente na cobertura que usamos, e aí há todo um mundo para explorar e inventar.

Já não fazia esta sobremesa há muito tempo e pus-me a pensar no tipo de cobertura que poderia usar. Sabia que queria usar frutas, mas não tinha a certeza quais. Ao olhar para o que tinha na cozinha, as maçãs chamaram-me a atenção, por não ser uma combinação muito habitual com esta sobremesa. A partir daí, foi só arranjar mais alguns sabores, pensar em quantidades e experimentar. E saiu bem!



Mini panna cotta de maçã e amora

Ingredientes ( 4 pessoas )
  • 3 folhas de gelatina
  • 500ml de natas
  • 2 colheres de sopa mais 50g de açúcar
  • 600g de maçãs
  • 100g de amoras, mais algumas para decorar
  • 1 limão
  • 50g de açúcar
  • canela em pó

  • Coloquem as folhas de gelatina de molho em água fria. Entretanto deitem as natas num tacho pequeno, juntem 2 colheres de açúcar e levem a lume brando, com cuidado para não deixar ferver. Escorram bem as folhas de gelatina e juntem às natas, mexendo bem para ficar bem misturado. Retirem do lume e deitem em formas (usei formas de alumínio pequenas, mas podem fazer panna cottas maiores, usando taças ou ramequins. Levem ao frigorífico de um dia para o outro.

  • Agora o coulis de maçã e amora - descasquem e descarocem as maçãs, cortem em quartos e ponham num tacho. Juntem um pouco de água, não chegando a cobrir completamente as maçãs e levem a lume brando, deixando fervilhar com a tampa durante 10 a 20 minutos ou até as maçãs estarem cozidas.

  • Noutro tacho pequeno juntem as amoras com cerca de 30 a 40ml de água (sim, só um nadinha) e deixem cozinhar por cerca de 5 a 10 minutos até as amoras começarem a desfazer-se.

  • Com a ajuda de uma varinha mágica, triturem bem as maçãs com a água que ainda sobrar no tacho. Deitem as amoras num passador e, com a ajuda de uma colher de pau, deitem a polpa sobre o puré de maçãs. Mexam bem. Juntem um pouco de sumo de limão e os 50g de açúcar. Misturem e provem - ajustem o açúcar se necessário.

  • Na altura de servir, desenformem a panna cotta, cubram com um pouco do coulis de maçã e amora, polvilhem com canela e terminem com uma amora fresca por cima.

Salmão com crosta de lima, sésamo e mel

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Escrito por Bruno



Uma das coisas que me surpreendeu quando me mudei para Londres foi a dificuldade que há em encontrar bom peixe fresco, pelo menos por comparação com Portugal, onde temos tanto e de tão boa qualidade. Inglaterra tem mais tradições de carne e, por muitos anos, o pouco peixe que se comia era frito e acompanhado de batatas fritas. Não é que eu tenha algo contra o tradicional fish'n'chips - pelo contrário, quando bem feito e com a polme certa, o peixe fica uma maravilha, a desfazer-se na boca, e com um sabor óptimo. Mas estando habituado às tradições portuguesas, é difícil perceber como é possível, na capital de um país que é toda uma ilha, haver tão pouca escolha.

Uma das notórias excepções é o salmão. Sendo um peixe de águas frias, pesca-se muito no Reino Unido, e é fácil encontrá-lo (e de boa qualidade!) à venda. Ainda para mais, é um peixe consensual cá em casa - os miúdos adoram "peixe cor-de-rosa". Fazemo-lo muitas vezes no forno, mas desta vez queria tentar algo diferente. Pus-me a pensar nos sabores que sei combinarem bem com o salmão e no que poderia misturar para acompanhar as postas enquanto assam no forno - e saiu esta receita.

O resultado valeu a pena. O ácido suave da lima e o doce do mel, o crocante do pão ralado e o toque discreto do sésamo, o cebolinho no final - esta crosta é perfeita para acompanhar uma boa posta de salmão. E o "peixe cor-de-rosa" voltou a não desiludir.



Salmão com crosta de lima, sésamo e mel

Ingredientes ( 4 pessoas )
  • 2 colheres de sopa de manteiga
  • 1 lima
  • 2 colheres de sopa de mel
  • 2 colheres de sopa de sementes de sésamo
  • 6 colheres de sopa de pão ralado
  • sal
  • pimenta
  • 4 postas de salmão
  • cebolinho

  • Adoro receitas do tipo "misturar tudo e levar ao lume". Esta é mais ou menos desse tipo - comecem por ligar o forno a 200° (ou 180° ventilado).

  • Derretam a manteiga no microondas e juntem-lhe a raspa e o sumo da lima, o mel, o sésamo, o pão ralado, o sal e a pimenta (estes dois a gosto). Misturem bem.

  • Forrem um tabuleiro de forno com folha de alumínio. Coloquem as postas de salmão e cubram cada uma com a mistura de ingredientes que prepararam antes. Coloquem uma folha de alumínio a cobrir o salmão e levem ao forno por cerca de 20 minutos. Passado esse tempo, retirem a folha de alumínio de cima e deixem cozinhar destapado mais 5 minutos ou até estar pronto.

  • Retirem do forno, cubram com cebolinho picado e sirvam com o acompanhamento que preferirem.

Guacamole com pistácios

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Escrito por Bruno



Adoro guacamole. Tragam-me uma taça para a mesa e umas quantas tortilhas fritas e está o vício instalado. Ainda por cima, não é difícil de preparar em casa. Há inúmeras receitas - perguntem a 10 mexicanos e obterão 10 variações ligeiramente diferentes. A base, no entanto, é sempre a mesma - abacate, sumo de lima, sal... e cebola, e talvez uma malagueta, e já agora uns coentros... Curiosamente, e ao contrário do que tantas vezes se vê por aí, não é suposto levar tomate. O tomate picado vem do pico de gallo, um outro molho mexicano que leva tomate, cebola, coentros, malaguetas, sal e sumo de lima - conseguem ver a semelhança, certo? Em vez de estar a preparar dois molhos diferentes e a misturá-los, muita gente resolve cortar a direito e misturar o tomate directamente no guacamole. Mas não digam aos vossos amigos mexicanos, que talvez não achem muita graça...

Dito tudo isto, esta receita também não é genuína. Ou melhor, até é, relativamente (foi adaptada do site mexicano do Chef Oropeza), mas tem o acrescento dos pistácios, que lhe dão uma textura e um sabor ligeiramente diferentes. Por vezes é difícil encontrar pistácios sem sal - se não encontrarem, façam a receita sem eles (os pistácios salgados têm demasiado sal e não resultariam bem aqui).



Guacamole com pistácios

Ingredientes ( 4 pessoas )
  • 2 abacates
  • ½ cebola
  • 1 molho de coentros, sem os talos
  • 1 malagueta pequena (usei malagueta vermelha, mais por razões estéticas que de sabor, mas podem usar uma verde também)
  • sumo de 1 lima
  • sal
  • pimenta
  • 1 mão bem cheia de pistácios sem sal

  • Comecem por descascar e retirar o caroço aos abacates. Cortem-nos aos cubos, coloquem numa taça e esmaguem-nos com a ajuda de um garfo. De sequida, piquem bem a cebola e os coentros. Finalmente, abram a malagueta, retirem as sementes e piquem finamente. Juntem a cebola, os coentros e a malagueta ao abacate e misturem bem.

  • De seguida, juntem o sumo da lima e misturem. Provem e temperem com sal e pimenta a gosto. Para terminar, piquem grosseiramente os pistácios e juntem, misturando bem.

  • Sirvam acompanhado de tortilhas fritas.