Os primeiros três meses

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Escrito por Bruno

O blog faz hoje três meses, e pareceu-me boa ideia fazer um balanço rápido do que está a ser esta aventura.

Tal como disse no primeiro post, pode parecer estranho criar um blog em 2017, mas continua a ser uma ideia estimulante. Comparando com a minha experiência anterior nos blogs de culinária - o Cozinha com Tomates -, a blogosfera (ainda se usa este termo?...) está agora bastante diferente e menos dinâmica. Nos dias de hoje é quase essencial manter presença regular nas restantes redes sociais, já que o hábito de ver os últimos posts nos blogs que seguimos começou a ser substituído por acompanhá-los no Facebook ou no Instagram.

Ainda assim, tem sido uma óptima caminhada. A intenção do blog nunca foi o número de seguidores, mas sim a partilha de receitas ou ideias em torno delas e a possibilidade de poder discuti-las com outras pessoas. Ou, pelo menos, saber que há quem as leia e se inspire para ir cozinhar. E nesse aspecto, esta experiência está definitivamente a valer a pena. Tenho "conhecido" novas pessoas e descoberto novos blogs - a lista de links ali ao lado tem crescido de forma constante ao longo deste tempo -, o que me faz também encontrar novas receitas e inspirações.

Nestes três meses, publiquei 34 receitas - caramba, já foram assim tantas? Estou definitivamente a cozinhar mais do que cozinhava, o que, espero, me fará cozinhar melhor. E, a propósito, de acordo com as estatísticas do Blogger, a receita mais popular do blog é a do Frango com Mostarda - experimentem a receita, se ainda não o fizeram!

E pronto - quem quiser acompanhar esta viagem pode simplesmente vir espreitar o blog de vez em quando, mas também pode seguir-me no Facebook, onde todos os posts são anunciados, ou no Instagram, onde vão havendo também outras imagens de pratos que vou cozinhando - ou da preparação de receitas que serão publicadas mais tarde. Quem preferir, pode também adicionar o Ponto de Espadana em agregadores como o Bloglovin', o MyTaste, ou o BlogsPortugal.

Ufffffff... É isto. Venham muitos mais meses! :)

Massa com salsicha fresca e castanhas

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Escrito por Bruno


Esta é uma opção ideal para um almoço de Outono. Estamos em Outubro, os dias (pelo menos aqui em Londres) já arrefeceram - e sabe bem uma comida assim, aconchegante, com o sabor das castanhas a combinar na perfeição com a carne e o molho de tomate.

A receita original é da BBC Good Food.

Uma nota em relação à carne - se há coisa que os ingleses fazem melhor do que nós são salsichas frescas. Sempre me fez confusão como é que em Portugal temos uma tradição tão profunda de enchidos fumados, mas tão pouca imaginação nas salsichas frescas - salvo raras excepções, uma salsicha fresca é uma salsicha fresca e é igual em todo o lado. Aqui a variedade de recheios de salsichas frescas é muito maior - há salsichas frescas simples, mas também com maçã, com pimenta preta, com cebola caramelizada, com alho-francês, com bacon, com alperce, com colorau, agri-doces… enfim, uma variedade enorme e muito saborosa, o que faz com que um prato como este possa ser facilmente modificado em termos de sabor. Dito isto, se quiserem modificar a receita à vossa maneira e não tiverem muita variedade de salsichas por onde escolher, podem sempre preparar a vossa própria mistura, juntando os vossos temperos e ingredientes preferidos a uma base de simples carne picada.



Massa com salsicha fresca e castanhas

Ingredientes ( 6 pessoas )
  • azeite
  • 1 cebola, picada
  • 450g de salsichas frescas
  • 200g de castanhas cozidas, picadas grosseiramente
  • 2 dentes de alho, picados
  • 1 ou 2 hastes de alecrim
  • 1 colher de chá de sementes de funcho
  • 1 copo de vinho tinto
  • 500g de puré de tomate
  • 500g de massa (usei conchiglie - búzios -, mas uma massa longa como os tagliatelle ou pappardelle também deve resultar bem)
  • salsa, picada
  • queijo parmesão
  • sal
  • pimenta

  • Dêem um golpe nas salsichas e retirem a carne toda dos invólucros. Reservem.

  • Aqueçam um fio de azeite numa frigideira grande, em lume forte. Deitem-lhe a cebola e deixem fritar por uns minutos até ficar translúcida. Juntem a carne e as castanhas e cozinhem por 10 a 12 minutos, mexendo regularmente com uma colher de pau, com a qual devem também ir “quebrando” a carne em pedaços pequenos.

  • De seguida, juntem o alho, o alecrim e o funcho e cozinhem por mais dois minutos. Nessa altura, deitem o vinho e deixem-no evaporar quase na totalidade. Finalmente, juntem o tomate, baixem o lume, tapem a frigideira e deixem fervilhar por 10 minutos.

  • Enquanto o molho cozinha, cozam a massa em bastante água a ferver com sal, de acordo com os tempos indicados no pacote. No final reservem uma chávena da água da massa e escorram-na bem. Deitem a massa, colheres de sopa da água que reservaram, o molho e metade da salsa picada, misturem bem e temperem com sal e pimenta. Sirvam coberto com a restante salsa e com lascas de parmesão.

Martini

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Escrito por Bruno



É hora de falar do Martini. É possível que esta frase vos traga à cabeça recordações de pedirem um Martini num bar e o barman perguntar "bianco ou rosso?", mas não me refiro a isso. Esse Martini é uma marca italiana de vermute. Bastante popular, sim, mas apenas um vermute (um vinho aromatizado e fortificado) e não um cocktail - e é deste último que vamos falar. Um cocktail. Aliás - O cocktail.

O Martini é provavelmente o mais clássico dos cocktails clássicos. Há inúmeros livros só sobre o Martini e as suas variações. Há estudos científicos sobre a sua preparação (a eterna discussão sobre se o coktail deve ser agitado ou mexido - o shaken, not stirred que os filmes do James Bond tornaram famoso - e eu estou firmemente no campo do mexido; agitar quebra muito mais o gelo, dilui mais a bebida e torna-a mais turva, tudo coisas que não são desejáveis num Martini, diga Bond o que disser).

Mas afinal, o que é o Martini? É a perfeição num copo - gin e vermute branco. Nada mais, nada menos. A complicação vem nas proporções, que foram mudando ao longo dos anos. Desde a proporção de 2 partes de gin para 1 de vermute publicada em 1922 até à preferência do actor e dramaturgo inglês Noël Coward, que defendia que o Martini perfeito era um copo cheio de gin agitado mais ou menos na direcção de Itália, vai todo um mundo. Aliás, parte do gozo deste cocktail está precisamente na necessidade de experimentar vários até acertarmos com as proporções preferidas.

No meu caso pessoal, o equilíbrio perfeito entre o gin e o vermute é este: 50ml de gin, 15 de vermute branco. A acompanhar, um twist de casca de limão ou uma azeitona verde (prefiro o limão). E está feito!



Martini

Ingredientes
  • 50ml de gin
  • 15ml de vermute branco
  • 1 limão

  • Coloquem o copo de Martini (sim, o Martini tem copos próprios. Eu disse que era O cocktail!...) no congelador para estar bem frio na hora de servir.

  • Coloquem o gin e o vermute no shaker ou em qualquer outro copo grande e alto. Encham até cima com muitos cubos grandes de gelo e, com uma colher longa (idealmente uma colher de bar), mexam bem o gelo no copo durante pelo menos 30 segundos - preferencialmente um pouco mais. Retirem o copo do congelador e deitem-lhe o Martini através de um coador.

  • Cortem uma tira fina da casca do limão, torçam-na ligeiramente e com cuidado sobre o cocktail (para que os óleos da casca se libertem) e deitem-no no copo.

Peitos de frango recheados com farinheira, cogumelos e tâmaras

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Escrito por Bruno



Há uns anos fazia esta receita com alguma regularidade. Depois, não sei porquê, acabou por ficar de lado. É estranho como vamos mudando os hábitos alimentares, como receitas novas acabam por substituir outras que já faziam parte da mobília. E, quando isso acontece, sabe bem voltar a reencontrar essas comidas. É bom ver que ainda nos lembramos como se faz e que conseguimos trazer de volta os mesmos sabores.

Este recheio é uma pequena maravilha. Fica muito bem com o frango, e provavelmente ficará bem noutros pratos ou a rechear outro tipo de carnes. Para acompanhamento, usem o que mais vos apetecer. Uma salada fresca é uma opção, por exemplo. Se bem que desta vez fomos mesmo para as batatas assadas que já publiquei aqui no blog - ficaram óptimas!



Peitos de frango recheados com farinheira, cogumelos e tâmaras

Ingredientes ( 4 pessoas )
  • 150g de cogumelos
  • 100g de tâmaras secas
  • 1 farinheira
  • 4 peitos de frango
  • mostarda
  • vinho do Porto
  • azeite
  • sal
  • pimenta

  • Piquem os cogumelos e as tâmaras em separado, e reservem. De seguida, tirem a pele à farinheira e cortem-na também em pedaços. Deitem um fio de azeite numa frigideira, levem ao lume e, quando estiver quente, deitem-lhe os cogumelos. Deixem-nos cozinhar uns minutos, mexendo sempre. Juntem a farinheira e cozinhem por mais uns minutos, usando a colher de pau para a desfazer e misturando bem com os cogumelos. Para terminar, juntem as tâmaras e mexam por mais um minuto ou dois. Retirem do lume e reservem - mas guardem a frigideira, que vão usá-la a seguir.

  • Peguem nos peitos de frango e cortem-nos de lado, como se estivessem a abrir um pão para fazer uma sandes, mas sem separar completamente as duas metades. Recheiem cada peito com o recheio de farinheira, tâmaras e cogumelos. Se necessário, usem palitos para manter o peito de frango mais fechado. Barrem cada peito com mostarda e temperem com sal e pimenta. Deitem um fio de azeite na mesma frigideira onde prepararam o recheio e levem a lume médio. Coloquem-lhe os peitos de frango, salpiquem com um pouco de vinho do Porto e cozinhem, virando quando necessário, até o frango estar pronto.

Mini panna cotta de maçã e amora

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Escrito por Bruno



A cozinha italiana é uma das minhas paixões e tem sido uma influência constante na forma como vou aprendendo a cozinhar. É uma cozinha simples, despretensiosa e generosa, que aproveita os bons ingredientes das melhores formas. Tem muitos pontos de contacto com as nossas tradições, o que faz com que seja fácil e interessante cruzar ideias e sabores e ver o que sai. Para além de tudo isto, é também uma cozinha com óptimas sobremesas!

A panna cotta é um óptimo exemplo. Com um nome que significa literalmente "natas cozidas", é quase só isso - natas, açúcar e gelatina, fervidas durante algum tempo, e levadas ao frigorífico para solidificar. Mas essa aparente simplicidade esconde um potencial criativo enorme - porque o sabor da panna cotta está principalmente na cobertura que usamos, e aí há todo um mundo para explorar e inventar.

Já não fazia esta sobremesa há muito tempo e pus-me a pensar no tipo de cobertura que poderia usar. Sabia que queria usar frutas, mas não tinha a certeza quais. Ao olhar para o que tinha na cozinha, as maçãs chamaram-me a atenção, por não ser uma combinação muito habitual com esta sobremesa. A partir daí, foi só arranjar mais alguns sabores, pensar em quantidades e experimentar. E saiu bem!



Mini panna cotta de maçã e amora

Ingredientes ( 4 pessoas )
  • 500ml de natas
  • 50g mais 2 colheres de sopa de açúcar
  • 3 folhas de gelatina
  • 600g de maçãs
  • 100g de amoras, mais algumas para decorar
  • 1 limão
  • 50g de açúcar
  • canela em pó

  • Coloquem as folhas de gelatina de molho em água fria. Entretanto deitem as natas num tacho pequeno, juntem 2 colheres de açúcar e levem a lume brando, com cuidado para não deixar ferver. Escorram bem as folhas de gelatina e juntem às natas, mexendo bem para ficar bem misturado. Retirem do lume e deitem em formas (usei formas de alumínio pequenas, mas podem fazer panna cottas maiores, usando taças ou ramequins. Levem ao frigorífico de um dia para o outro.

  • Agora o coulis de maçã e amora - descasquem e descarocem as maçãs, cortem em quartos e ponham num tacho. Juntem um pouco de água, não chegando a cobrir completamente as maçãs e levem a lume brando, deixando fervilhar com a tampa durante 10 a 20 minutos ou até as maçãs estarem cozidas.

  • Noutro tacho pequeno juntem as amoras com cerca de 30 a 40ml de água (sim, só um nadinha) e deixem cozinhar por cerca de 5 a 10 minutos até as amoras começarem a desfazer-se.

  • Com a ajuda de uma varinha mágica, triturem bem as maçãs com a água que ainda sobrar no tacho. Deitem as amoras num passador e, com a ajuda de uma colher de pau, deitem a polpa sobre o puré de maçãs. Mexam bem. Juntem um pouco de sumo de limão e os 50g de açúcar. Misturem e provem - ajustem o açúcar se necessário.

  • Na altura de servir, desenformem a panna cotta, cubram com um pouco do coulis de maçã e amora, polvilhem com canela e terminem com uma amora fresca por cima.

Salmão com crosta de lima, sésamo e mel

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Escrito por Bruno



Uma das coisas que me surpreendeu quando me mudei para Londres foi a dificuldade que há em encontrar bom peixe fresco, pelo menos por comparação com Portugal, onde temos tanto e de tão boa qualidade. Inglaterra tem mais tradições de carne e, por muitos anos, o pouco peixe que se comia era frito e acompanhado de batatas fritas. Não é que eu tenha algo contra o tradicional fish'n'chips - pelo contrário, quando bem feito e com a polme certa, o peixe fica uma maravilha, a desfazer-se na boca, e com um sabor óptimo. Mas estando habituado às tradições portuguesas, é difícil perceber como é possível, na capital de um país que é toda uma ilha, haver tão pouca escolha.

Uma das notórias excepções é o salmão. Sendo um peixe de águas frias, pesca-se muito no Reino Unido, e é fácil encontrá-lo (e de boa qualidade!) à venda. Ainda para mais, é um peixe consensual cá em casa - os miúdos adoram "peixe cor-de-rosa". Fazemo-lo muitas vezes no forno, mas desta vez queria tentar algo diferente. Pus-me a pensar nos sabores que sei combinarem bem com o salmão e no que poderia misturar para acompanhar as postas enquanto assam no forno - e saiu esta receita.

O resultado valeu a pena. O ácido suave da lima e o doce do mel, o crocante do pão ralado e o toque discreto do sésamo, o cebolinho no final - esta crosta é perfeita para acompanhar uma boa posta de salmão. E o "peixe cor-de-rosa" voltou a não desiludir.



Salmão com crosta de lima, sésamo e mel

Ingredientes ( 4 pessoas )
  • 4 postas de salmão
  • 2 colheres de sopa de manteiga
  • 1 lima
  • 2 colheres de sopa de mel
  • 2 colheres de sopa de sementes de sésamo
  • 6 colheres de sopa de pão ralado
  • sal
  • pimenta
  • cebolinho

  • Adoro receitas do tipo "misturar tudo e levar ao lume". Esta é mais ou menos desse tipo - comecem por ligar o forno a 200° (ou 180° ventilado).

  • Derretam a manteiga no microondas e juntem-lhe a raspa e o sumo da lima, o mel, o sésamo, o pão ralado, o sal e a pimenta (estes dois a gosto). Misturem bem.

  • Forrem um tabuleiro de forno com folha de alumínio. Coloquem as postas de salmão e cubram cada uma com a mistura de ingredientes que prepararam antes. Coloquem uma folha de alumínio a cobrir o salmão e levem ao forno por cerca de 20 minutos. Passado esse tempo, retirem a folha de alumínio de cima e deixem cozinhar destapado mais 5 minutos ou até estar pronto.

  • Retirem do forno, cubram com cebolinho picado e sirvam com o acompanhamento que preferirem.

Guacamole com pistácios

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Escrito por Bruno



Adoro guacamole. Tragam-me uma taça para a mesa e umas quantas tortilhas fritas e está o vício instalado. Ainda por cima, não é difícil de preparar em casa. Há inúmeras receitas - perguntem a 10 mexicanos e obterão 10 variações ligeiramente diferentes. A base, no entanto, é sempre a mesma - abacate, sumo de lima, sal... e cebola, e talvez uma malagueta, e já agora uns coentros... Curiosamente, e ao contrário do que tantas vezes se vê por aí, não é suposto levar tomate. O tomate picado vem do pico de gallo, um outro molho mexicano que leva tomate, cebola, coentros, malaguetas, sal e sumo de lima - conseguem ver a semelhança, certo? Em vez de estar a preparar dois molhos diferentes e a misturá-los, muita gente resolve cortar a direito e misturar o tomate directamente no guacamole. Mas não digam aos vossos amigos mexicanos, que talvez não achem muita graça...

Dito tudo isto, esta receita também não é genuína. Ou melhor, até é, relativamente (foi adaptada do site mexicano do Chef Oropeza), mas tem o acrescento dos pistácios, que lhe dão uma textura e um sabor ligeiramente diferentes. Por vezes é difícil encontrar pistácios sem sal - se não encontrarem, façam a receita sem eles (os pistácios salgados têm demasiado sal e não resultariam bem aqui).



Guacamole com pistácios

Ingredientes ( 4 pessoas )
  • 2 abacates
  • ½ cebola
  • 1 molho de coentros, sem os talos
  • 1 malagueta pequena (usei malagueta vermelha, mais por razões estéticas que de sabor, mas podem usar uma verde também)
  • sumo de 1 lima
  • sal
  • pimenta
  • 1 mão bem cheia de pistácios sem sal

  • Comecem por descascar e retirar o caroço aos abacates. Cortem-nos aos cubos, coloquem numa taça e esmaguem-nos com a ajuda de um garfo. De sequida, piquem bem a cebola e os coentros. Finalmente, abram a malagueta, retirem as sementes e piquem finamente. Juntem a cebola, os coentros e a malagueta ao abacate e misturem bem.

  • De seguida, juntem o sumo da lima e misturem. Provem e temperem com sal e pimenta a gosto. Para terminar, piquem grosseiramente os pistácios e juntem, misturando bem.

  • Sirvam acompanhado de tortilhas fritas.

Bellini

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Escrito por Bruno



O Bellini nasceu no Harry's Bar, em Veneza, pela mão do fundador, Giuseppe Cipriani, que achou que a cor do cocktail fazia lembrar os tons dos quaddros do pintor veneziano Giovanni Bellini.

Felizmente, não é preciso ir a Veneza para experimentar este cocktail - e não é preciso grande mão-de-obra. Basta ter pêssegos à mão e uma garrafa de prosecco. Claro que as variações são possíveis - não havendo prosecco à mão, qualquer outro espumante pode ser usado (ninguém se vai chatear se usarem champanhe!). A fruta também pode variar (já vi receitas de Bellinis de maracujá e até de ruibarbo), mas o ideal é ficar pelo pêssego.

A propósito - um Bellini como deve ser deve ser feito com pêssegos brancos, que têm uma polpa muito mais clara, dando um tom mais rosado ao cocktail. Quando não se encontram destes, um pêssego amarelo serve perfeitamente (como provavelmente perceberão pela cor na foto ali em cima, foi o que me aconteceu desta vez).



Orazione nell'Orto, de Giovanni Bellini. Aquilo ao fundo é uma alvorada de pêssego ou já bebi demais?...



Bellini

Ingredientes
Os ingredientes vão sem quantidades fixas - dependem de quantos cocktails quiserem fazer, do tamanho das vossas flutes, e do gosto pessoal. Um pêssego dá perfeitamente para uns poucos cocktails.
  • Pêssego branco
  • Açúcar
  • Prosecco

  • Comecem por preparar o puré de pêssego - basta descascar a fruta (quanto mais fria estiver, melhor, que o cocktail quer-se fresco), tirar-lhe o caroço e triturar bem. Se acharem necessário, podem juntar um pouco de açúcar. Passem depois por um passador para retirar os sólidos e ficarem só com a parte líquida. Está feito.

  • A seguir, coloquem um pouco de puré de pêssego no fundo de flutes de champanhe e encham o resto com o prosecco bem frio. A proporção deve ser mais ou menos de uma parte de puré para duas de prosecco, mas cada um ajustará ao seu gosto. Misturem um pouco com uma colher e sirvam imediatamente.

Batatas assadas

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Escrito por Bruno



Hoje temos um acompanhamento. E sim, sei que são "só" batatas no forno, mas são umas batatas que ficam bastante estaladiças por fora e incrivelmente suaves por dentro. Fiz estas batatas para acompanhar uma peça de carne que tínhamos a assar e não me lembro de ver batatas desaparecer tão depressa!

Uma nota quanto à gordura - o azeite é uma alternativa óptima (e, claro, mantém a receita como opção válida para vegetarianos). No entanto, para quem preferir, vale a pena tentarem encontrar a gordura de pato ou ganso para a assadura - o sabor fica irresistível. Aqui em Inglaterra é fácil encontrar esta gordura à venda em supermercados; em Portugal, encontra-se no Corte Inglés, mas não sei quão fácil é noutros locais.

A receita original é da BBC Good Food.



Batatas assadas

Ingredientes ( 4 pessoas )
  • 1 kg de batatas para assar
  • 100ml de azeite - ou, se preferir, 100g de gordura de pato ou ganso
  • 2 colheres de chá de farinha
  • rosmaninho
  • tomilho
  • sal grosso

  • Comecem por colocar uma assadeira no forno a 200° (ou 180° ventilado). Entretanto, descasquem as batatas e cortem-nas em pedaços mais ou menos irregulares, com cerca de 5cm de lado. Coloquem-nas num tacho, cubram com água, juntem um pouco de sal e levem ao lume. Assim que a água ferver, baixem o lume e deixem cozer por dois minutos.

  • Enquanto as batatas cozem, retirem o tabuleiro do forno e juntem-lhe a gordura que estiverem a usar. Voltem a colocar no forno para que a gordura vá aquecendo.

  • Entretanto devem ter passado os dois minutos - escorram as batatas num escorredor. Abanem o escorredor para a frente e para trás algumas vezes para "amassar" um pouco as batatas. Ainda com elas no escorredor, deitem-lhes por cima as duas colheres de farinha e abanem mais um pouco para que a farinha as cubra bem. Finalmente, retirem o tabuleiro do forno e deitem-lhe as batats - cuidado: a gordura está quente e as batatas estão molhadas, por isso vai haver salpicos!

  • Com cuidado, virem as batatas para que a gordura as cubra por todos os lados. Espalhem nesta altura algumas hastes de alecrim e folhas de tomilho. Levem ao forno por 15 minutos. Retirem passado esse tempo, virem as batatas e voltem ao forno por mais 15 minutos. Retirem mais uma vez, voltem a virar e voltem ao forno por 10 a 20 minutos - ou o tempo que for necessário para que fiquem douradas e estaladiças. No final, cubram com sal e sirvam.

Caril de lentilhas, coco e cenoura

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Escrito por Bruno



Encontrei esta receita no Pretty.Simple.Sweet. e fiquei imediatamente interessado. Adoro lentilhas, ainda mais em caril, e ao ler a receita já estava a imaginar o sabor que deveria ter.

Não me enganei - este caril é óptimo. Simples de fazer, com muito sabor e uma óptima alternativa para qualquer refeição. E é versátil - as cenouras podem facilmente ser substituídas por abóbora ou batata-doce e é fácil misturar quaisquer outros ingredientes que tenham em casa e queiram aproveitar. Se quiserem uma versão completamente vegetariana, retirem simplesmente a manteiga. Para acompanhar, servi o caril acompanhado de arroz de coco e a combinação foi perfeita.



Caril de lentilhas, coco e cenoura

Ingredientes ( 4 pessoas )
  • 200g de lentilhas pretas
  • 450ml de água
  • ½ cebola
  • 2 cenouras
  • 1 colher de sopa de pasta de caril vermelho
  • 400ml de leite de coco
  • 1.5 colheres de chá de canela em pó
  • 1 colher de sopa de caril em pó
  • 1 ou 2 colheres de sopa de manteiga (opcional)
  • azeite
  • sal
  • pimenta

  • Juntem as lentilhas e a água num tacho e levem ao lume até ferver. Nessa altura baixem o lume, tapem o tacho e deixem cozer durante 15 a 20 minutos até as lentilhas absorverem a água.

  • Enquanto as lentilhas cozem, piquem a cebola e cortem as cenouras em cubos pequenos. Deitem um fio de azeite numa frigideira funda e refoguem a cebola e a cenoura durante 5 a 10 minutos, até começarem a amolecer. Juntem a pasta de caril, o leite de coco, a canela, o caril em pó e a manteiga (se utilizarem). Deixem fervilhar por uns minutos até reduzir um pouco.

  • Temperem com sal e pimenta a gosto e, finalmente, juntem as lentilhas, misturando bem durante um minuto ou dois - está pronto a servir!

Gelado de pêssego e amêndoa amarga

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Escrito por Bruno



Esta foi uma daquelas receitas que aparecem sem sabermos bem de onde. Ao passar numa mercearia de bairro, olhei para as bancas de fruta na rua, reparei no óptimo aspecto dos pêssegos e pensei no que poderia fazer com eles. Não sei porquê, mas veio-me à cabeça não só a ideia de fazer um gelado, mas também a combinação exacta de sabores - gelado de pêssego com amêndoa amarga. O pêssego combina bem com o sabor da amêndoa - é bastante comum encontrar receitas de pêssegos assados com os biscoitos italianos amaretti -, mas nunca tinha experimentado em gelado. E digo-vos, vale bem a pena.

Para o gelado, adaptei a receita do Perfect Scoop, o livro de gelados do David Lebovitz, mas acrescentando o licor de amêndoa amarga e os amaretti. Para servir, enfeitei com amêndoa laminada e um fio de mel, mas estes são perfeitamente opcionais - este gelado é óptimo comido simples, directamente do recipiente. Aliás, difícil vai ser não acabar com ele todo de uma vez!



Gelado de pêssego e amêndoa amarga

Ingredientes
  • 600g de pêssegos maduros
  • 125ml de água
  • 20ml de licor de amêndoa amarga
  • 150g de açúcar
  • 400g de natas (usei double cream, natas com maior teor de gordura)
  • algumas gotas de extracto de baunilha
  • 1 limão
  • 50g de biscoitos amaretti

  • Descasquem os pêssegos, tirem os caroços e cortem em pedaços pequenos. Coloquem-nos num tacho, juntem a água e o licor de amêndoa amarga e levem a lume médio, durante cerca de 10 minutos, até os pêssegos cozerem. Nessa altura retirem do lume, juntem o açúcar, mexam bem e deixem arrefecer.

  • Assim que estiverm frios, deitem os pêssegos (e toda a calda que se tiver formado) para um copo misturador, juntem as natas, a baunilha e um pouco de sumo de limão. Triturem bem e retirem para um recipiente. Esmigalhem os biscoitos com as mãos e juntem-nos ao preparado.

  • Deitem o preparado na máquina de gelados e sigam as instruções do fabricante. Sirvam como vos apetecer!

Almôndegas de borrego com grão e tomate

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Escrito por Bruno



Bem sei que a carne de borrego não é consensual - há muita gente que não gosta ou já teve más experiências com carne mal preparada. Cá em casa gostamos bastante e usamos muitas vezes no dia-a-dia. Para além disso, é uma carne muito popular e fácil de encontrar em Inglaterra - aliás, no geral há muito boa carne ou não fosse este um país cheio de campo e pastagens. O problema aqui é com o peixe, mas isso é um tema para outro dia.

Estas almôndegas não são difíceis de preparar e ficam óptimas, com um molho espesso e muito aromático, que combina perfeitamente com o cuscuz. Se não encontrarem almôndegas de borrego, podem comprar carne de borrego picada e moldar as vossas próprias almôndegas. Para quem não apreciar borrego, não tenham receio de substituir por almôndegas de carne de vaca, mantendo o resto da receita como está.



Almôndegas de borrego com grão e tomate

Ingredientes ( 4 pessoas )
  • 500g de almôndegas de borrego
  • 1 cebola picada
  • 2 cenouras cortadas em cubos
  • 28g de coentros
  • 1 colher de sopa de colorau
  • 2 colheres de chá de cominhos em pó
  • 1 colher de chá de canela em pó
  • 400g de tomates em pedaços (1 lata)
  • 400g de grão em lata, escorridos
  • 1 colher de chá de mel
  • 300g de cuscuz
  • 300ml de caldo de legumes
  • azeite
  • sal
  • pimenta

  • Deitem um fio de azeite numa frigideira e fritem as almôndegas até alourarem por todos os lados. Retirem-nas para um prato, mas mantenham a frigideira ao lume, deitando-lhe a cebola e as cenouras. Deixem fritar por 5 minutos.

  • Separem as folhas dos talos de coentros e guardem-nas de lado. Piquem os talos e juntem-nos à frigideira, bem como o colorau, os cominhos e a canela. Mexam durante cerca de um minuto. Juntem os tomates, o grão, o mel e 200ml de água. Misturem bem e voltem a juntar as almôndegas. Temperem com sal e pimenta e deixem cozinhar por um quarto de hora até o molho engrossar.

  • Enquanto esperam, coloquem o cuscuz numa taça e cubram com o caldo de legumes. Tapem com película aderente e aguardem 10 minutos para que absorva o líquido. Quando estiver pronto, separem-no bem com um garfo. Finalmente, deitem as folhas de coentros sobre as almôndegas e sirvam.

Salame de chocolate

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Escrito por Bruno



Depois de há dias ter feito um bolo de bolacha, fiquei com vontade de tentar outras sobremesas clássicas, ou pelo menos aquilo a que poderíamos facilmente chamar a Santíssima Trindade das Festas de Aniversário dos Anos 80 - bolo de bolacha, salame de chocolate e pudim Molotov. O pudim fica para depois, porque hoje é dia de salame.

Diz a Wikipédia que o salame de chocolate é típico em Portugal e Itália - não faço ideia quanto aos italianos, mas em Portugal é omnipresente. E de forma justa, porque é impossível resistir a uma combinação de chocolate e bolachas, certo? Ainda para mais, é simples de fazer em casa e permite algumas variações interessantes para quem quiser ajustá-lo mais ao seu gosto.

Ao fazer pesquisa para o salame (que nunca tinha cozinhado antes), encontrei a receita do Pretty.Simple.Sweet. que me chamou a atenção e que resolvi experimentar. Gostei muito do resultado final, mas as crianças lá em casa queixaram-se que “não sabe ao mesmo que comemos em casa da avó”, referindo-se ao salame de supermercado. Percebo-os: esta receita é muito menos doce, visto que usa bolachas digestivas e chocolate negro, que é muito mais amargo. O sabor está perfeito para mim, não tanto para eles. Mas quem preferir um salame mais doce, pode facilmente substituir o chocolate negro por chocolate de leite e/ou as bolachas por bolacha Maria, aproximando mais o resultado do salame mais tradicional.



Salame de chocolate

Ingredientes
  • 180g de bolachas digestivas
  • 70g de avelãs tostadas
  • 200g de chocolate negro
  • 90g de manteiga sem sal
  • 6 colheres de sopa de leite
  • açúcar em pó para polvilhar

  • Comecem por esmigalhar as bolachas e por partir as avelãs em pedaços, juntando ambos os ingredientes numa taça.

  • Juntem o chocolate e a manteiga num recipiente e derretam em banho-maria (coloquem um pequeno tacho com água ao lume e coloquem o recipiente com o chocolate e a manteiga sobre o tacho, sem que o fundo toque na água; usem lume brando e vão mexendo sempre até o chocolate estar completamente derretido e misturado com a manteiga, tendo sempre cuidado para não deixar queimar). Juntem o leite e mexam bem. Finalmente, juntem a mistura de chocolate às bolachas e avelãs e misturem, obtendo assim a massa para o salame.

  • Espalhem a massa sobre uma folha de papel vegetal e moldem o rolo do salame. Enrolem-no no papel , torcendo as pontas (como se fosse um rebuçado gigante). Levem ao frigorífico umas horas - idealmente de um dia para o outro. Quando estiver pronto, retirem, polvilhem com açúcar em pó e sirvam em fatias.

Frango no forno com abóbora, alcachofras e azeitonas

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Escrito por Bruno



Os assados são das refeições mais práticas de fazer - seja ao fim de um dia atarefado ou num fim-de-semana preguiçoso. Basta juntar os ingredientes, levá-los ao forno, e esperar, fazendo outras coisas, ou parando sem fazer nada, idealmente com um copo de vinho na mão, enquanto o forno faz tudo sozinho.

Este assado veio publicado na revista Good Food, da BBC, e é muito bom. O sabor vem principalmente do tempero com os orégãos e as sementes de cominho, mas as alcachofras no final também ajudam muito. Para quem quiser uma alternativa de frango interessante e muito saborosa, esta é uma óptima escolha.

Uma nota em relação à abóbora - a receita que segui usa o que aqui chamam butternut squash (nome científico Cucurbita Moschata). Julgo que se vende em algumas grandes superfícies em Portugal com o nome de abóbora-manteiga, embora esse não seja necessariamente o único nome, ou o mais correcto, desta espécie - no site da Câmara de São Brás de Alportel chamam-lhe abóbora-frade; noutras páginas encontrei quem lhe chamasse abóbora-da-Guiné, abóbora-negra ou abóbora-rasteira. De qualquer forma, se tiverem outros tipos de abóbora à mão, podem sempre experimentar (e para quem tiver dúvidas sobre usar abóbora em vez da mais tradicional batata, garanto que é uma surpresa muito agradável; fica óptima, e a desfazer-se na boca no final da assadura).



Frango no forno com abóbora, alcachofras e azeitonas

Ingredientes ( 4 pessoas )
  • 8 pernas de frango
  • 1kg de abóbora, cortada em pedaços pequenos, sem tirar a casca
  • 180g de alcachofras em azeite (um frasco)
  • 150g de azeitonas mistas
  • 1 colher de chá de orégãos
  • 2 colher de chá de sementes de cominhos
  • 1.5 colheres de sopa de azeite
  • uma mão-cheia de rúcula
  • sal
  • pimenta

  • Liguem o forno a 220° ou a 200° ventilado.

  • Deitem numa taça 1 colher e meia do azeite do frasco de alcachofras. Juntem os orégãos, os cominhos e o azeite, misturando bem. Deitem a abóbora numa assadeira de forno, juntem as pernas de frango e deitem por cima a mistura de azeite. Temperem com um pouco de sal e pimenta

  • Levem ao forno durante 50 minutos. No final, juntem as alcachofras e as azeitonas, abanem um pouco a assadeira para misturar melhor e voltem a colocar no forno por mais 5 minutos. Quando estiver pronto, retirem, espalhem a rúcula por cima e sirvam.

Limonada com framboesas

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Escrito por Bruno



O calor já praticamente se foi aqui em Londres, e já começa a cheirar a Outono. Ainda assim, de vez em quando há dias em que a temperatura sobe, e apetece qualquer coisa para refrescar - e lembrar os dias mais quentes de Verão.

A limonada é a bebida ideal - simples de fazer, refrescante, saudável. Em Inglaterra é mais comum fazê-la com água com gás, mas eu prefiro assim, à nossa maneira, só limão, água e açúcar, sempre nas mesmas proporções - 2 limões e 100 gramas de açúcar para 1 litro de água. As framboesas... bem, são só para lhe dar um toque diferente. Uma limonada cor-de-rosa fica quase exótica. Não há grande diferença no sabor (4 framboesas não chegam para alterar grande coisa), mas o colorido só por si já vale a pena.

Uma variante que também resulta muito bem é usar duas limas em vez de um dos limões, deixando a limonada mais aromática.



Limonada com framboesas

Ingredientes
  • 2 limões
  • 100g de açúcar
  • 1 litro de água
  • 4 framboesas

  • Não há muito que saber para preparar uma limonada. A ideia é juntar o sumo do limão, o açúcar e a água e misturar bem. No entanto, em vez de espremer os limões, eu corto-os em quartos, com casca e tudo, e deito-os num copo misturador com o resto dos ingredientes. Dou-lhes algumas voltas intermitentes na velocidade máxima, para soltar o sumo, esmagar as framboesas e triturar os limões em pedaços.

  • Depois é só passar por um passador (não uso rede muito fina - gosto da limonada algo turva), deitar num jarro, juntar gelo e levar ao frigorífico até servir.

Bolo de bolacha

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Escrito por Bruno



O bolo de bolacha é um verdadeiro clássico. É um dos bolos mais simples de fazer, mas a simplicidade esconde um sabor que faz parte da minha infância - e, desconfio, da infância de muitos mais (provavelmente porque não havia festa de anos onde não houvesse um bolo destes)

Foi só quando fui para Lisboa que descobri o outro bolo de bolacha, com natas e doce de ovos, mas nunca me convenceu. Falta-lhe tudo o que este tem: o sabor do café e o creme de manteiga. As bolachas esmigalhadas por cima, para dar textura. O prazer de cortar uma fatia e ver aquelas camadas de bolacha no interior. Tudo isso faz parte da maravilha que é este bolo - e para mim, o outro não chega perto.

Estava com saudades e fiz um no fim-de-semana. Segui a receita da Bíblia do Pantagruel - e, como sempre, não falhou.



Bolo de bolacha

Ingredientes
  • 500g de bolacha Maria
  • 250g de açúcar
  • 250g de manteiga sem sal, à temperatura ambiente
  • 1 ovo
  • Café

  • Comecem pelo creme de manteiga - batam as claras em castelo firme num recipiente e reservem. Noutro recipiente, juntem a manteiga ao açúcar e à gema do ovo e batam muito bem com a batedeira. No final, juntem as claras batidas e envolvam bem.

  • Agora é só montar o bolo - molhem as bolachas no café e façam uma camada de bolachas (usei uma bolacha no meio, rodeada de mais seis à volta). Espalhem uma camada de creme por cima, cobrindo as bolachas e os espaços vazios entre elas. Repitam alternando camadas de bolachas embebidas em café e de creme, até terminar com uma última camada de creme.

  • No final, se desejarem, cubram também os lados do bolo com o creme e cubram com algumas bolachas esmigalhadas.


Bifes de frango com molho de mostarda e mel

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Escrito por Bruno



Ainda de volta das receitas que fiz nas férias... Queria arranjar uma receita simples, ideal para um jantar rápido de preparar e sem grandes complicações. Já não sei bem porque é que me lembrei do molho de mostarda e mel, mas foi uma boa inspiração. Andei à procura de receitas, cruzei umas com as outras, vi o que tinha disponível no frigorífico, e preparei a receita desta forma. E resultou.

É um prato simples e eficaz. A mostarda e o mel são uma conjugação clássica, e o alecrim liga muito bem com ambos. Foi uma boa forma de preparar um jantar de férias, mas é um prato que fica bem em qualquer altura do ano.



Bifes de frango com molho de mostarda e mel

Ingredientes ( 4 pessoas )
  • 500g de bifes de frango
  • 2 dentes de alho
  • 2 colheres de sopa de mostarda
  • 2 colheres de sopa de mel
  • 1 colher de sopa de azeite
  • sal
  • pimenta
  • alecrim

  • A receita é muito simples: coloquem um pequeno fio de azeite no fundo de uma assadeira de forno e disponham os bifes de frango na mesma. Temperem com o sal e a pimenta.

  • Juntem num recipiente a mostarda, o mel e o azeite, misturando bem. Deitem sobre o frango e terminem com uma ou duas hastes de alecrim.

  • Levem ao forno pré-aquecido a 180° por meia hora e está pronto a servir.

Figos com halloumi, presunto, avelãs e mel

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Escrito por Bruno



Já lá vão uns anitos - em 2008, num livro da australiana Donna Hay, descobri uma receita de figos assados com queijo halloumi e presunto. Chamou-me a atenção pela combinação de ingredientes e, principalmente, pelo halloumi, que adoro. Para quem não o conhece, o halloumi é um queijo cipriota com um ponto de fusão bastante alto, o que faz com que seja ideal para assar, grelhar ou fritar. Já se encontra com facilidade em hipermercados, normalmente junto às embalagens de queijo feta.

Sendo tão simples de fazer, é uma receita que se presta bem ao Verão e às férias. Tendo encontrado uns figos óptimos no mercado de Cabanas, levei-os para casa e preparei esta entrada. A receita que sigo já não é bem a da Donna Hay, embora a base seja semelhante. As avelãs acrescentam textura e sabor (a minha ideia inicial era usar pistácios, mas é difícil encontrá-los sem ser salgados, e esses não ficariam bem. Mas hei-de experimentar um destes dias), e o mel dá um toque doce adicional.



Figos com halloumi, presunto, avelãs e mel

Ingredientes ( 4 pessoas )
  • 1 queijo halloumi
  • 8 figos
  • 4 fatias finas de presunto
  • pimenta
  • avelãs tostadas
  • mel

  • Comecem por cortar o halloumi em oito fatias. Aqueçam uma frigideira ao lume e, quando estiver bem quente, coloquem as fatias de halloumi, deixando fritar dos dois lados.

  • Retirem as fatias e coloquem-nas numa assadeira de forno. Cortem os figos ao meio e enrolem cada metade em meia fatia de presunto. Coloquem duas metades de figo sobre cada fatia de halloumi e polvilhem com um pouco de pimenta, a gosto. Entretanto triturem grosseiramente as avelãs e polvilhem-nas sobre os figos. Terminem com um fio de mel e levem ao forno aquecido a 220º. Deixem assar por cerca de 12 minutos, ou até o presunto assar e ficar estaladiço.

Amêijoas com cebola

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Escrito por Bruno



Férias não são férias sem amêijoas. E amêijoas de férias não são amêijoas de férias sem bastante cebola - e muito molho, para molhar o pão.

Faço amêijoas assim há anos. Não é muito diferente do tradicional Bulhão Pato, mas esse não leva cebola, e eu adoro tê-la no prato. Quanto à mostarda, de início não a usava de todo, mas acrescentei-a à receita depois de umas amêijoas óptimas que comi num restaurante da Graça, nas quais se notava perfeitamente um ligeiro travo a mostarda que fazia toda a diferença. É o meu "ingrediente secreto" (ou era, antes de publicar esta receita...)

Férias não são férias sem amêijoas - e estas férias foram-no, sem dúvida.



Amêijoas com cebola

Ingredientes ( 4 pessoas )
  • 1kg de amêijoas
  • 1 cebola
  • 2 dentes de alho
  • 100ml de vinho branco
  • azeite
  • 1 limão
  • pimenta
  • mostarda
  • coentros
  • pão

  • Comecem por limpar as amêijoas deixando-as de molho em água salgada, mudando a água algumas vezes para libertarem a areia que possam ter.

  • De seguida, cortem a cebola em rodelas e piquem o alho. Levem ao lume num tacho, juntando um pouco de azeite e um pouco de mostarda, e mexendo bem para misturar tudo. Deixem refogar e, assim que a cebola alourar, juntem as amêijoas, baixem para lume brando e coloquem a tampa.

  • Quando as amêijoas começarem a abrir, juntem o vinho branco e um pouco de pimenta e tapem novamente o tacho. Deixem cozer até as amêijoas estarem completamente abertas.

  • Finalmente, deitem as amêijoas (e a cebola, e o molho!) para uma travessa. Juntem os coentros picados e sirvam com limão cortado em quartos e com bastantes fatias de pão para molhar.

Comidas de férias

domingo, 3 de setembro de 2017

Escrito por Bruno

E pronto, mais um ano, mais umas férias de Verão.

Foram duas semanas e meia de regresso a Portugal, a visitar família e a aproveitar a praia de Cabanas de Tavira, onde temos feito férias nos últimos sete anos. Foram dias de praia, sol, piscina, bolas de Berlim, mergulhos, areia e descanso, mas também, para aquilo que interessa neste blog, de comida. Não só cozinhada em casa, mas também nos sítios que conhecemos e onde gostamos sempre de voltar, principalmente para pratos que dificilmente encontramos em Londres.

Sopa de letras #2

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Escrito por Bruno

I say reassuring, because airline food is all about comfort – nothing else. Unlike other meals, its taste is not in any way a function of the ingredients or the molecular changes effected by the introduction of heat (what the dull and sublunary call ‘cooking’), but solely a product of the diner’s own anxiety. The airlines know this full well, which is why they dish up a lot of food in many dinky little portions, and why almost all of those portions so closely resemble sedative potato dauphinoise – or anxiolytic Irish stew. The nervy flyer, wedged in between John Grisham fans and contemplating a death that for sheer, quotidian pathos – Died in that air crash, you say? On her way to a city break in Tallinn? Blimey, what a pointless way to go – is only equalled by slipping in the shower stall on a cake of Imperial Leather, will reach joyfully for the proffered tray because, after all, if you’re eating you must be alive, no?

Will Self e a comida de avião (quando ainda havia comida de avião e não apenas uma sandes - se estivermos com sorte), em The Unbearable Lightness of Being a Prawn Cracker, um dos melhores títulos de sempre na literatura gastronómica.

Vem a propósito, porque vamos de férias - voamos amanhã e espero voltar com receitas de Verão: amêijoas, inevitáveis, mas provavelmente mais qualquer coisa... Até já!

Pie de carne e queijo

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Escrito por Bruno



Pie. Uma palavra inglesa simples que esconde uma grande variedade de comida - e há poucas coisas mais inglesas que uma boa pie. Em Inglaterra, dividem-se em dois grandes tipos - com puré de batata a envolver o recheio, ou com massa (folhada ou quebrada). São o equivalente aos nossos empadões e empadas, respectivamente, embora muitas vezes as pies com massa sejam autênticos guisados só com uma tampa de massa por cima, enquanto as nossas empadas tendem a ser mais secas por dentro. Eu, que não sou grande fã de empadão, fico-me pelas pies com massa.

É um tipo de comida que se encontra aqui por todo o lado, dos pubs aos mercados de rua, com inúmeras variedades de recheio - com carne e cerveja (as pies de Guinness são um clássico), com legumes, com veado, com bife e fígado (uma das minhas preferidas), ou mais simples, como esta receita, que faço de vez em quando e sai sempre bem.

A receita é adaptada de um livro chamado simplesmente Pie, escrito por Dean Brettschneider, que encontrei um dia em promoção numa loja e trouxe por impulso. Acabou por ser uma boa compra e um bom livro com ideias interessantes para recheios e tipos de massa.



Pie de carne e queijo

Ingredientes ( 4 pies individuais )
  • 1 embalagem de massa folhada
  • 500g de carne de vaca picada
  • 175ml de caldo de carne
  • 125ml de cerveja
  • 200g de queijo ralado (usei cheddar)
  • 1 cebola picada
  • 2 dentes de alho esmagados
  • 30g de farinha sem fermento
  • 2 colheres de sopa de concentrado de tomate
  • 1 ovo
  • azeite
  • vinagre balsâmico
  • molho inglês
  • mistura de ervas secas
  • sal
  • pimenta

  • Deitem um fio de azeite numa frigideira, juntem-lhe a cebola e o alho e deixem refogar até a cebola começar a alourar. Juntem a carne picada e cozinhem até ganhar cor, mexendo com uma colher de pau, para soltar bem a carne. Polvilhem com a farinha e deixem cozinhar durante cerca de 30 segundos. Juntem a pouco e pouco o caldo de carne e a cerveja, mexendo bem. Deixem levantar fervura e juntem o concentrado de tomate, o vinagre balsâmico e o molho inglês. Polvilhem com as ervas secas e temperem com sal e pimenta a gosto. Baixem o lume e deixem fervilhar durante 10 minutos. Retirem e reservem.

  • Entretanto, espalhem a massa folhada e cortem círculos à medida para forrarem quatro ramequins com massa, deixando-a um pouco maior do que o bordo da taça. A massa deverá ser suficiente para forrar os quatro ramequins e ainda sobrar para as tampas.

  • Deitem o recheio sobre a massa em cada ramequim, sem encher até acima. Juntem depois o queijo ralado sobre o recheio. Cortem círculos de massa folhada à medida de cada ramequim para fechar as pies. Pincelem o bordo da massa dos ramequins com um pouco de água e coloquem a tampa por cima, vedando bem com os dedos. Cortem o excesso de massa à volta. Pincelem com o ovo batido e levem ao forno pré-aquecido a 220°, durante 30 minutos. Retirem do forno e sirvam.

Clover Club

sábado, 12 de agosto de 2017

Escrito por Bruno


Ao longo do tempo vamos encontrando livros que se tornam indispensáveis na cozinha, cada um com uma função diferente. Já aqui falei algumas vezes do The Perfect Scoop do David Lebovitz, a minha bíblia para gelados e sorvetes. Mas há tantos outros... Os absolutamente incontornáveis Cozinha Tradicional Portuguesa, de Maria de Lourdes Modesto ou O Livro de Pantagruel, de Bertha Rosa-Limpo, Jorge Brum do Canto e Maria Manuela Limpo Caetano, para quase tudo o que é português (e não só, no caso do Pantagruel). O Macarons, de Pierre Hermé. E, para cocktails, o completíssimo The Spirits, de Richard Godwin. Este último é uma colecção enorme de bebidas, escrito com um humor perfeito e com bastantes ajudas para quem está a começar.

Logo no primeiro capítulo, Godwin apresenta os "clássicos" - os 25 primeiros cocktails que toda a gente devia começar por experimentar (com o Martini à cabeça, claro, que há-de passar por aqui também). Em oitavo na lista, está este Clover Club, que é um favorito cá em casa - a combinação de gin, vermute, limão e framboesa é perfeita para um fim de dia (ou um começo de jantar com amigos) refrescante.

Algumas notas para iniciados: o vermute francês, ou seco, não é mais do que o vermute branco - em Portugal o mais conhecido será porventura o Martini Bianco (o Martini Rosso é vermute italiano, ou tinto - ou doce), mas há outros, como o Noilly Prat (o que eu normalmente uso). A calda de açúcar faz-se simplesmente levando 2 partes de açúcar amarelo para 1 de água ao lume (as quantidades exactas dependem da quantidade de cocktails que quiserem fazer), mexendo até o açúcar estar dissolvido - nessa altura retira-se do lume e deixa-se arrefecer.



Clover Club

Ingredientes ( 1 cocktail )
  • 50ml de gin
  • 15ml de sumo de limão
  • 10ml de calda de açúcar amarelo (feita com 2 partes de açúcar para 1 de água)
  • 15ml de vermute francês
  • 3 framboesas frescas
  • 15ml de clara de ovo

  • O Clover Club é simples de fazer, mas precisa de ser agitado duas vezes para que a clara de ovo ganhe a espuma característica que enfeitará o cocktail no final. Assim sendo, comecem por deitar todos os ingredientes no shaker, juntem bastante gelo e agitem com força durante pelo menos 10 segundos.

  • Coem duplamente para um recipiente vazio, passem o shaker por água rapidamente, para retirar os cubos de gelo e os restos de framboesa, e voltem a colocar o cocktail no shaker, desta feita sem qualquer gelo. Agitem novamente durante pelo menos 10 segundos para a clara de ovo ganhar espuma e coem para um copo de cocktail frio.

  • Enfeitem com uma framboesa fresca.

Legumes assados no forno

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Escrito por Bruno



Coisas simples - tantas vezes as que resultam melhor. Este é um daqueles acompanhamentos que se faz num instantinho, que dá para aproveitar o que houver em casa, e que combina bem com quase tudo. Basta cortar os legumes, temperar e levar ao forno.

Simples e saudável!



Legumes assados no forno

Ingredientes
  • Usem o que tiverem à mão, mas no meu caso, a receita foi esta:
  • 1 courgette
  • 1 beringela
  • 2 pimentos vermelhos
  • 1 cebola
  • 3 dentes de alho
  • 1 frasco de corações de alcachofra em azeite
  • sal
  • pimenta
  • azeite

  • Nada mais simples: cortem a courgette, a beringela e a cebola em rodelas e os pimentos em tiras. Esmaguem os dentes de alho.

  • Deitem tudo menos as alcachofras num tabuleiro, reguem com azeite e temperem com sal e pimenta. Levem ao forno aquecido a 220° por cerca de 20 minutos. Nessa altura juntem as alcachofras escorridas de azeite, misturem tudo bem e deixem assar por mais 5 minutos.

  • Retirem e sirvam.

Eton Mess rápido

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Escrito por Bruno



Andava à procura de uma receita para uma sobremesa simples, rápida, e que pudesse ser servida assim, numa taça pequena ou num copo.

Encontrei este Eton Mess no Giraffes Can Bake, um site que tem muitas e boas receitas para experimentar (o link já está adicionado na lista ali ao lado, que tem vindo a crescer desde que comecei este blog).

O Eton Mess é uma das sobremesas tradicionais inglesas, à base de suspiro, natas e morangos. Diz a lenda (absolutamente falsa, como todas as boas lendas) que, num jogo de críquete no Eton College, um cão atirou ao chão a cesta de piquenique que tinha uma pavlova de morango para a sobremesa, tendo ficado a sobremesa completamente desfeita. Os rapazes não se importaram, comeram-na mesmo assim, e acharam que estava ainda melhor. Nascia assim o Eton Mess. Histórias à parte, é uma sobremesa simples de fazer, ainda para mais nesta versão, que fica pronta num instante e é um bom final para uma refeição.



Eton Mess rápido

Ingredientes ( 4 pessoas )
  • 75g de mirtilos
  • 100g de morangos
  • 75g de framboesas
  • sumo de meio limão
  • 50g mais 1.5 colheres de sopa de açúcar
  • 1 colher de sopa de água
  • 1 colher de chá de amido de milho
  • 300ml de natas para bater
  • 45g a 60g de suspiros

  • Comecem por preparar o molho de frutos silvestres, colocando os mirtilos, os morangos e as framboesas (reservem alguns para enfeitar no final) num tacho pequeno, juntamente com o sumo de limão e os 50g de açúcar. Misturem a água bem com o amido de milho e juntem ao tacho. Cozinhem em lume médio, deixando fervilhar por 5 minutos. Retirem e reservem.

  • Entretanto, batam as natas com a colher e meia de açúcar até ficar firme.

  • Agora é montar as sobremesas - deitem uma camada de suspiro desfeito no fundo dos copos. Por cima, deitem uma camada de natas (um saco de pasteleiro pode ajudar bastante neste passo), seguida de uma ou duas colheradas do molho de frutos silvestres. Repitam estas camadas mais uma ou duas vezes (dependendo da quantidade e do tamanho dos copos). Terminem com uma camada de suspiro e enfeitem com os frutos que reservaram.

Pêras bêbedas com creme de mascarpone e amêndoa amarga

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Escrito por Bruno


Ah, pêras bêbedas! Uma das minhas sobremesas preferidas e que andava esquecida há que tempos! Não sei bem porquê, mas lembrei-me delas e foi tanta a vontade que tive de ir comprar pêras e mascarpone para fazer esta receita.

Originalmente fazia um creme simples de mascarpone, só o queijo e açúcar, mas desta vez pareceu-me bem inventar um pouco. Amêndoa combina bem com pêras, por isso porque não pegar naquela garrafa de amêndoa amarga que está ali guardada e juntar um pouco? A ideia pareceu-me boa, e resultou bem. A quantidade de licor é pouca, mas suficiente para se notar o travo da amêndoa, a complementar bem as pêras.

E é justo - se as pêras estão bêbedas, então que o creme também esteja. Afinal de contas, beber sozinho nunca tem tanta graça.



Pêras bêbedas com creme de mascarpone e amêndoa amarga

Ingredientes ( 2 pessoas )
  • 4 pêras
  • 75dl de vinho tinto
  • sumo de meio limão
  • sumo de meia laranja
  • casca de limão
  • 350g de açúcar
  • 1 cálice de vinho do Porto
  • 1 pau de canela
  • 250g de queijo mascarpone
  • 3 colheres de sopa de licor de amêndoa amarga
  • mel

  • Descasquem as pêras, mantendo o pé (eu costumo também cortar-lhes a base, para ser mais fácil mantê-las em pé). Reguem-nas com os sumos do limão e da laranja.

  • Entretanto, coloquem o açúcar num tacho e deitem-lhe água - só o suficiente para cobrir o açúcar. Levem ao lume e, assim que começar a fervilhar, deitem-lhe o vinho tinto - quando este estiver também a fervilhar, deitem-lhe duas tiras de casca de limão e o pau de canela.

  • Coloquem as pêras no vinho, reduzam para lume brando e deixem ferver até as pêras estarem macias (a melhor maneira de verificar a cozedura é usar uma faca afiada para picar as pêras. Se as sentirem bem macias, sem oferecerem resistência, já devem estar boas - deve demorar pelo menos 20 a 30 minutos). Retirem as pêras, mas deixem a panela ao lume, deitando-lhe o cálice de vinho do Porto e esperando até o vinho engrossar. Depois retirem e deitem sobre as pêras.

  • Entretanto preparem o creme - basta misturar a amêndoa amarga com o queijo e mexer bem com uma colher. Assim que o queijo começar a ficar cremoso, está pronto.

  • Sirvam duas pêras em cada prato, com uma bola de creme de mascarpone regada com um fio de mel.

Frango com mostarda

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Escrito por Bruno



Esta é um dos pratos preferidos cá de casa, e sai sempre bem. O molho é do outro mundo, com os sabores da mostarda, do bacon, da cebola e do tomilho a criarem uma combinação perfeita com o frango.

A receita é do David Lebovitz, publicada no livro My Paris Kitchen. No final da receita ele aconselha acompanhar com massa fresca, que é boa para absorver bem o molho - eu usei legumes assados no forno. Melhor ainda é terem um bom pão na mesa, que vai dar muito jeito para molhar no prato (ou mesmo no tacho!).



Frango com mostarda

Ingredientes ( 4 a 6 pessoas )
  • 4 coxas e 4 pernas de frango
  • 135g mais 3 colheres de sopa de mostarda de Dijon
  • ¼ de colher de chá de colorau
  • 100g de bacon em cubos
  • 1 cebola pequena, cortada em cubos
  • 250ml de vinho branco
  • 1 colher de sopa de grãos de mostarda
  • 2 ou 3 colheres de sopa de crème fraîche (ou, em alternativa, natas)
  • alguns ramos de tomilho fresco
  • salsa
  • sal
  • pimenta preta

  • Deitem para uma taça grande os 135g de mostarda de Dijon, o colorau, a pimenta e o sal. Misturem bem e deitem o frango para a taça, cobrindo todas as partes com a mistura de mostarda.

  • Levem uma sertã grande a lume médio-alto e deitem-lhe o bacon. Cozinhem até começar a ganhar cor - nessa altura retirem para um prato coberto com papel de cozinha, para absorver a gordura. Juntem a cebola e cozinhem-na por uns minutos até começar a ficar translúcida. Nessa altura retirem-na da sertã e reservem.

  • A sertã deverá ter ainda alguma gordura do bacon - se não for o caso, deitem-lhe um fio pequeno de azeite. Coloquem o frango na sertã, sem se sobrepor. Ainda em lume médio-alto, cozinhem o frango, deixando-o ganhar cor por todos os lados. O fundo da sertão poderá começar a parecer queimado, mas essa parte é importante para dar sabor ao molho, por isso não se preocupem.

  • Assim que o frango estiver com uma boa cor, retirem-no e reservem-no. Deitem agora o vinho na sertã e, com uma espátula ou uma colher de pau, raspem bem o fundo da panela, soltando todos os pedaços e misturando-os bem no vinho. Voltem a colocar o frango, a cebola e o bacon na sertã, juntem o tomilho, e baixem o lume para brando. Tapem com a tampa e deixem cozinhar durante pelo menos 15 minutos, até o frango estar pronto. De vez em quando abram e virem o frango, para que a cozedura seja uniforme.

  • Assim que a cozedura tiver terminado, retirem do lume e juntem as 3 colheres de mostarda Dijon, as sementes de mostarda e o crème fraîche. Misturem bem. Se o molho tiver reduzido demasiado e estiver demasiado grosso, podem deitar um pouco de água morna para o deixar menos espesso.

  • Finalmente, deitem salsa picada por cima e estará pronto a servir.

Tiramisù

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Escrito por Bruno


A cozinha italiana é uma das minhas principais inspirações, desde que a descobri em Milão, onde trabalhei durante 10 meses, num projecto em 1999. Na altura eu era um pequeno selvagem - caramba, eu cortava esparguete com a faca! Lembro-me de deixar vários colegas italianos horrorizados ao verem-me cortar massa, o que para um italiano é algo tão mau - que digo eu? pior ainda! - quanto cortarem-lhes a própria mãe. Mas entretanto fui aprendendo algumas coisas: a enrolar esparguete no garfo, a fazer um risotto em condições - e a fazer Tiramisù.

Uso a mesma receita desde que a descobri, publicada no blog italiano Anice & Canella, que, infelizmente, já não é actualizado desde 2014. Tal como a autora escrevia no post, receitas de Tiramisù há às centenas, e há discussões intermináveis sobre qual a forma correcta de o fazer - com ou sem álcool, com claras ou natas,... Na verdade, como em tantas outras receitas, não há uma receita-padrão, e as variações regionais são normais e bem-vindas. É essa variedade que torna a culinária mais interessante e surpreendente.

De qualquer forma, esta receita é simples e resulta sempre bem. A única diferença interessante, que acrescenta textura e sabor, é o uso dos pedaços pequenos de chocolate. É raro encontrá-los noutras variantes, mas fazem bastante diferença.



Tiramisù

Ingredientes
  • 500g de queijo mascarpone
  • 5 gemas
  • 4 claras
  • 4 colheres de sopa de açúcar
  • o equivalente a 6 chávenas pequenas de café
  • cacau em pó
  • 200g de chocolate negro cortado em pedaços pequenos
  • 300g de palitos la reine ou equivalentes

  • Comecem por bater as gemas com o açúcar até fazer espuma. Juntem o queijo mascarpone e continuem a bater, em velocidade baixa, até estar bem misturado.

  • Noutro recipiente batam as claras em castelo até estar bem firme. Envolvam-nas a pouco e pouco ao creme de gemas e mascarpone, misturando com cuidado.

  • Agora é altura de começar a montar o Tiramisù. Passem os palitos la reine pelo café, apenas no lado do açúcar. Coloquem-nos numa primeira camada no fundo do tabuleiro onde irão servir, com o lado do açúcar para cima - assim, o café irá descer pelos palitos, humedecendo toda a massa e deixando-os fofos. Cubram os palitos com uma camada de creme de gema e mascarpone. Polvilhem com cacau e espalhem pedaços de chocolate. Repitam - mais uma camada de palitos e outra de creme, cacau e chocolate. Repitam uma terceira vez, terminando com o creme, cacau e chocolate.

  • Levem ao frigorífico até à hora de servir. Buon appetito!

Gago Coutinho

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Escrito por Bruno



Há mais em comum entre cocktails e culinária do que parece à primeira vista. Há o lado óbvio de o cocktail poder acompanhar a comida, tornando interessante tentar procurar a combinação perfeita entre o que se bebe e o que se come. Mas, para além disso, há o lado de poder experimentar com diferentes ingredientes - não só bebidas, mas também caldas, fruta, ervas, e tudo aquilo de que a imaginação se lembrar.

Há cerca de dois anos que comecei a interessar-me por cocktails e a tentar fazer os meus em casa. É um processo criativo, interessante, relativamente barato (há um investimento inicial em algumas garrafas, mas a quantidade de álcool por cocktail é pequena, por isso o custo por copo é muito mais barato do que os preços que são cobrados em bares), e, enfim, fica-se com coisas boas para beber.

O Gago Coutinho é uma alteração minha de um clássico, o Aviation. O original leva gin, sumo de limão, licor Maraschino (feito à base de cerejas Marasca) e Crème de Violette. Como ainda não cheguei a esse extremo de dedicação, não me preocupei sequer em procurar este último ingrediente. Para além disso, em vez de Maraschino usei ginja de Alcobaça, a melhor de todas (não aceito discussões!), o que tornou o cocktail numa versão mais portuguesa do Aviation. Ora, Aviation em versão portuguesa... Gago Coutinho, claro. Pareceu-me o nome ideal. Não é um cocktail que nos faça atravessar o Atlântico, mas é suficientemente bom para tornar o fim do dia mais agradável!



Gago Coutinho

Ingredientes ( 1 cocktail )
  • 50ml de gin
  • 15ml de sumo de limão
  • 15ml de ginja de Alcobaça

  • Deitem tudo no shaker com bastante gelo e agitem bem. Coem duplamente (usando o coador do shaker e um passador pequeno de malha fina) para um copo de cocktail frio. O avião de papel é opcional.