Os primeiros três meses

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Escrito por Bruno

O blog faz hoje três meses, e pareceu-me boa ideia fazer um balanço rápido do que está a ser esta aventura.

Tal como disse no primeiro post, pode parecer estranho criar um blog em 2017, mas continua a ser uma ideia estimulante. Comparando com a minha experiência anterior nos blogs de culinária - o Cozinha com Tomates -, a blogosfera (ainda se usa este termo?...) está agora bastante diferente e menos dinâmica. Nos dias de hoje é quase essencial manter presença regular nas restantes redes sociais, já que o hábito de ver os últimos posts nos blogs que seguimos começou a ser substituído por acompanhá-los no Facebook ou no Instagram.

Ainda assim, tem sido uma óptima caminhada. A intenção do blog nunca foi o número de seguidores, mas sim a partilha de receitas ou ideias em torno delas e a possibilidade de poder discuti-las com outras pessoas. Ou, pelo menos, saber que há quem as leia e se inspire para ir cozinhar. E nesse aspecto, esta experiência está definitivamente a valer a pena. Tenho "conhecido" novas pessoas e descoberto novos blogs - a lista de links ali ao lado tem crescido de forma constante ao longo deste tempo -, o que me faz também encontrar novas receitas e inspirações.

Nestes três meses, publiquei 34 receitas - caramba, já foram assim tantas? Estou definitivamente a cozinhar mais do que cozinhava, o que, espero, me fará cozinhar melhor. E, a propósito, de acordo com as estatísticas do Blogger, a receita mais popular do blog é a do Frango com Mostarda - experimentem a receita, se ainda não o fizeram!

E pronto - quem quiser acompanhar esta viagem pode simplesmente vir espreitar o blog de vez em quando, mas também pode seguir-me no Facebook, onde todos os posts são anunciados, ou no Instagram, onde vão havendo também outras imagens de pratos que vou cozinhando - ou da preparação de receitas que serão publicadas mais tarde. Quem preferir, pode também adicionar o Ponto de Espadana em agregadores como o Bloglovin', o MyTaste, ou o BlogsPortugal.

Ufffffff... É isto. Venham muitos mais meses! :)

Massa com salsicha fresca e castanhas

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Escrito por Bruno


Esta é uma opção ideal para um almoço de Outono. Estamos em Outubro, os dias (pelo menos aqui em Londres) já arrefeceram - e sabe bem uma comida assim, aconchegante, com o sabor das castanhas a combinar na perfeição com a carne e o molho de tomate.

A receita original é da BBC Good Food.

Uma nota em relação à carne - se há coisa que os ingleses fazem melhor do que nós são salsichas frescas. Sempre me fez confusão como é que em Portugal temos uma tradição tão profunda de enchidos fumados, mas tão pouca imaginação nas salsichas frescas - salvo raras excepções, uma salsicha fresca é uma salsicha fresca e é igual em todo o lado. Aqui a variedade de recheios de salsichas frescas é muito maior - há salsichas frescas simples, mas também com maçã, com pimenta preta, com cebola caramelizada, com alho-francês, com bacon, com alperce, com colorau, agri-doces… enfim, uma variedade enorme e muito saborosa, o que faz com que um prato como este possa ser facilmente modificado em termos de sabor. Dito isto, se quiserem modificar a receita à vossa maneira e não tiverem muita variedade de salsichas por onde escolher, podem sempre preparar a vossa própria mistura, juntando os vossos temperos e ingredientes preferidos a uma base de simples carne picada.



Massa com salsicha fresca e castanhas

Ingredientes ( 6 pessoas )
  • azeite
  • 1 cebola, picada
  • 450g de salsichas frescas
  • 200g de castanhas cozidas, picadas grosseiramente
  • 2 dentes de alho, picados
  • 1 ou 2 hastes de alecrim
  • 1 colher de chá de sementes de funcho
  • 1 copo de vinho tinto
  • 500g de puré de tomate
  • 500g de massa (usei conchiglie - búzios -, mas uma massa longa como os tagliatelle ou pappardelle também deve resultar bem)
  • salsa, picada
  • queijo parmesão
  • sal
  • pimenta

  • Dêem um golpe nas salsichas e retirem a carne toda dos invólucros. Reservem.

  • Aqueçam um fio de azeite numa frigideira grande, em lume forte. Deitem-lhe a cebola e deixem fritar por uns minutos até ficar translúcida. Juntem a carne e as castanhas e cozinhem por 10 a 12 minutos, mexendo regularmente com uma colher de pau, com a qual devem também ir “quebrando” a carne em pedaços pequenos.

  • De seguida, juntem o alho, o alecrim e o funcho e cozinhem por mais dois minutos. Nessa altura, deitem o vinho e deixem-no evaporar quase na totalidade. Finalmente, juntem o tomate, baixem o lume, tapem a frigideira e deixem fervilhar por 10 minutos.

  • Enquanto o molho cozinha, cozam a massa em bastante água a ferver com sal, de acordo com os tempos indicados no pacote. No final reservem uma chávena da água da massa e escorram-na bem. Deitem a massa, colheres de sopa da água que reservaram, o molho e metade da salsa picada, misturem bem e temperem com sal e pimenta. Sirvam coberto com a restante salsa e com lascas de parmesão.

Martini

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Escrito por Bruno



É hora de falar do Martini. É possível que esta frase vos traga à cabeça recordações de pedirem um Martini num bar e o barman perguntar "bianco ou rosso?", mas não me refiro a isso. Esse Martini é uma marca italiana de vermute. Bastante popular, sim, mas apenas um vermute (um vinho aromatizado e fortificado) e não um cocktail - e é deste último que vamos falar. Um cocktail. Aliás - O cocktail.

O Martini é provavelmente o mais clássico dos cocktails clássicos. Há inúmeros livros só sobre o Martini e as suas variações. Há estudos científicos sobre a sua preparação (a eterna discussão sobre se o coktail deve ser agitado ou mexido - o shaken, not stirred que os filmes do James Bond tornaram famoso - e eu estou firmemente no campo do mexido; agitar quebra muito mais o gelo, dilui mais a bebida e torna-a mais turva, tudo coisas que não são desejáveis num Martini, diga Bond o que disser).

Mas afinal, o que é o Martini? É a perfeição num copo - gin e vermute branco. Nada mais, nada menos. A complicação vem nas proporções, que foram mudando ao longo dos anos. Desde a proporção de 2 partes de gin para 1 de vermute publicada em 1922 até à preferência do actor e dramaturgo inglês Noël Coward, que defendia que o Martini perfeito era um copo cheio de gin agitado mais ou menos na direcção de Itália, vai todo um mundo. Aliás, parte do gozo deste cocktail está precisamente na necessidade de experimentar vários até acertarmos com as proporções preferidas.

No meu caso pessoal, o equilíbrio perfeito entre o gin e o vermute é este: 50ml de gin, 15 de vermute branco. A acompanhar, um twist de casca de limão ou uma azeitona verde (prefiro o limão). E está feito!



Martini

Ingredientes
  • 50ml de gin
  • 15ml de vermute branco
  • 1 limão

  • Coloquem o copo de Martini (sim, o Martini tem copos próprios. Eu disse que era O cocktail!...) no congelador para estar bem frio na hora de servir.

  • Coloquem o gin e o vermute no shaker ou em qualquer outro copo grande e alto. Encham até cima com muitos cubos grandes de gelo e, com uma colher longa (idealmente uma colher de bar), mexam bem o gelo no copo durante pelo menos 30 segundos - preferencialmente um pouco mais. Retirem o copo do congelador e deitem-lhe o Martini através de um coador.

  • Cortem uma tira fina da casca do limão, torçam-na ligeiramente e com cuidado sobre o cocktail (para que os óleos da casca se libertem) e deitem-no no copo.

Peitos de frango recheados com farinheira, cogumelos e tâmaras

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Escrito por Bruno



Há uns anos fazia esta receita com alguma regularidade. Depois, não sei porquê, acabou por ficar de lado. É estranho como vamos mudando os hábitos alimentares, como receitas novas acabam por substituir outras que já faziam parte da mobília. E, quando isso acontece, sabe bem voltar a reencontrar essas comidas. É bom ver que ainda nos lembramos como se faz e que conseguimos trazer de volta os mesmos sabores.

Este recheio é uma pequena maravilha. Fica muito bem com o frango, e provavelmente ficará bem noutros pratos ou a rechear outro tipo de carnes. Para acompanhamento, usem o que mais vos apetecer. Uma salada fresca é uma opção, por exemplo. Se bem que desta vez fomos mesmo para as batatas assadas que já publiquei aqui no blog - ficaram óptimas!



Peitos de frango recheados com farinheira, cogumelos e tâmaras

Ingredientes ( 4 pessoas )
  • 150g de cogumelos
  • 100g de tâmaras secas
  • 1 farinheira
  • 4 peitos de frango
  • mostarda
  • vinho do Porto
  • azeite
  • sal
  • pimenta

  • Piquem os cogumelos e as tâmaras em separado, e reservem. De seguida, tirem a pele à farinheira e cortem-na também em pedaços. Deitem um fio de azeite numa frigideira, levem ao lume e, quando estiver quente, deitem-lhe os cogumelos. Deixem-nos cozinhar uns minutos, mexendo sempre. Juntem a farinheira e cozinhem por mais uns minutos, usando a colher de pau para a desfazer e misturando bem com os cogumelos. Para terminar, juntem as tâmaras e mexam por mais um minuto ou dois. Retirem do lume e reservem - mas guardem a frigideira, que vão usá-la a seguir.

  • Peguem nos peitos de frango e cortem-nos de lado, como se estivessem a abrir um pão para fazer uma sandes, mas sem separar completamente as duas metades. Recheiem cada peito com o recheio de farinheira, tâmaras e cogumelos. Se necessário, usem palitos para manter o peito de frango mais fechado. Barrem cada peito com mostarda e temperem com sal e pimenta. Deitem um fio de azeite na mesma frigideira onde prepararam o recheio e levem a lume médio. Coloquem-lhe os peitos de frango, salpiquem com um pouco de vinho do Porto e cozinhem, virando quando necessário, até o frango estar pronto.

Mini panna cotta de maçã e amora

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Escrito por Bruno



A cozinha italiana é uma das minhas paixões e tem sido uma influência constante na forma como vou aprendendo a cozinhar. É uma cozinha simples, despretensiosa e generosa, que aproveita os bons ingredientes das melhores formas. Tem muitos pontos de contacto com as nossas tradições, o que faz com que seja fácil e interessante cruzar ideias e sabores e ver o que sai. Para além de tudo isto, é também uma cozinha com óptimas sobremesas!

A panna cotta é um óptimo exemplo. Com um nome que significa literalmente "natas cozidas", é quase só isso - natas, açúcar e gelatina, fervidas durante algum tempo, e levadas ao frigorífico para solidificar. Mas essa aparente simplicidade esconde um potencial criativo enorme - porque o sabor da panna cotta está principalmente na cobertura que usamos, e aí há todo um mundo para explorar e inventar.

Já não fazia esta sobremesa há muito tempo e pus-me a pensar no tipo de cobertura que poderia usar. Sabia que queria usar frutas, mas não tinha a certeza quais. Ao olhar para o que tinha na cozinha, as maçãs chamaram-me a atenção, por não ser uma combinação muito habitual com esta sobremesa. A partir daí, foi só arranjar mais alguns sabores, pensar em quantidades e experimentar. E saiu bem!



Mini panna cotta de maçã e amora

Ingredientes ( 4 pessoas )
  • 500ml de natas
  • 50g mais 2 colheres de sopa de açúcar
  • 3 folhas de gelatina
  • 600g de maçãs
  • 100g de amoras, mais algumas para decorar
  • 1 limão
  • 50g de açúcar
  • canela em pó

  • Coloquem as folhas de gelatina de molho em água fria. Entretanto deitem as natas num tacho pequeno, juntem 2 colheres de açúcar e levem a lume brando, com cuidado para não deixar ferver. Escorram bem as folhas de gelatina e juntem às natas, mexendo bem para ficar bem misturado. Retirem do lume e deitem em formas (usei formas de alumínio pequenas, mas podem fazer panna cottas maiores, usando taças ou ramequins. Levem ao frigorífico de um dia para o outro.

  • Agora o coulis de maçã e amora - descasquem e descarocem as maçãs, cortem em quartos e ponham num tacho. Juntem um pouco de água, não chegando a cobrir completamente as maçãs e levem a lume brando, deixando fervilhar com a tampa durante 10 a 20 minutos ou até as maçãs estarem cozidas.

  • Noutro tacho pequeno juntem as amoras com cerca de 30 a 40ml de água (sim, só um nadinha) e deixem cozinhar por cerca de 5 a 10 minutos até as amoras começarem a desfazer-se.

  • Com a ajuda de uma varinha mágica, triturem bem as maçãs com a água que ainda sobrar no tacho. Deitem as amoras num passador e, com a ajuda de uma colher de pau, deitem a polpa sobre o puré de maçãs. Mexam bem. Juntem um pouco de sumo de limão e os 50g de açúcar. Misturem e provem - ajustem o açúcar se necessário.

  • Na altura de servir, desenformem a panna cotta, cubram com um pouco do coulis de maçã e amora, polvilhem com canela e terminem com uma amora fresca por cima.

Salmão com crosta de lima, sésamo e mel

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Escrito por Bruno



Uma das coisas que me surpreendeu quando me mudei para Londres foi a dificuldade que há em encontrar bom peixe fresco, pelo menos por comparação com Portugal, onde temos tanto e de tão boa qualidade. Inglaterra tem mais tradições de carne e, por muitos anos, o pouco peixe que se comia era frito e acompanhado de batatas fritas. Não é que eu tenha algo contra o tradicional fish'n'chips - pelo contrário, quando bem feito e com a polme certa, o peixe fica uma maravilha, a desfazer-se na boca, e com um sabor óptimo. Mas estando habituado às tradições portuguesas, é difícil perceber como é possível, na capital de um país que é toda uma ilha, haver tão pouca escolha.

Uma das notórias excepções é o salmão. Sendo um peixe de águas frias, pesca-se muito no Reino Unido, e é fácil encontrá-lo (e de boa qualidade!) à venda. Ainda para mais, é um peixe consensual cá em casa - os miúdos adoram "peixe cor-de-rosa". Fazemo-lo muitas vezes no forno, mas desta vez queria tentar algo diferente. Pus-me a pensar nos sabores que sei combinarem bem com o salmão e no que poderia misturar para acompanhar as postas enquanto assam no forno - e saiu esta receita.

O resultado valeu a pena. O ácido suave da lima e o doce do mel, o crocante do pão ralado e o toque discreto do sésamo, o cebolinho no final - esta crosta é perfeita para acompanhar uma boa posta de salmão. E o "peixe cor-de-rosa" voltou a não desiludir.



Salmão com crosta de lima, sésamo e mel

Ingredientes ( 4 pessoas )
  • 4 postas de salmão
  • 2 colheres de sopa de manteiga
  • 1 lima
  • 2 colheres de sopa de mel
  • 2 colheres de sopa de sementes de sésamo
  • 6 colheres de sopa de pão ralado
  • sal
  • pimenta
  • cebolinho

  • Adoro receitas do tipo "misturar tudo e levar ao lume". Esta é mais ou menos desse tipo - comecem por ligar o forno a 200° (ou 180° ventilado).

  • Derretam a manteiga no microondas e juntem-lhe a raspa e o sumo da lima, o mel, o sésamo, o pão ralado, o sal e a pimenta (estes dois a gosto). Misturem bem.

  • Forrem um tabuleiro de forno com folha de alumínio. Coloquem as postas de salmão e cubram cada uma com a mistura de ingredientes que prepararam antes. Coloquem uma folha de alumínio a cobrir o salmão e levem ao forno por cerca de 20 minutos. Passado esse tempo, retirem a folha de alumínio de cima e deixem cozinhar destapado mais 5 minutos ou até estar pronto.

  • Retirem do forno, cubram com cebolinho picado e sirvam com o acompanhamento que preferirem.

Guacamole com pistácios

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Escrito por Bruno



Adoro guacamole. Tragam-me uma taça para a mesa e umas quantas tortilhas fritas e está o vício instalado. Ainda por cima, não é difícil de preparar em casa. Há inúmeras receitas - perguntem a 10 mexicanos e obterão 10 variações ligeiramente diferentes. A base, no entanto, é sempre a mesma - abacate, sumo de lima, sal... e cebola, e talvez uma malagueta, e já agora uns coentros... Curiosamente, e ao contrário do que tantas vezes se vê por aí, não é suposto levar tomate. O tomate picado vem do pico de gallo, um outro molho mexicano que leva tomate, cebola, coentros, malaguetas, sal e sumo de lima - conseguem ver a semelhança, certo? Em vez de estar a preparar dois molhos diferentes e a misturá-los, muita gente resolve cortar a direito e misturar o tomate directamente no guacamole. Mas não digam aos vossos amigos mexicanos, que talvez não achem muita graça...

Dito tudo isto, esta receita também não é genuína. Ou melhor, até é, relativamente (foi adaptada do site mexicano do Chef Oropeza), mas tem o acrescento dos pistácios, que lhe dão uma textura e um sabor ligeiramente diferentes. Por vezes é difícil encontrar pistácios sem sal - se não encontrarem, façam a receita sem eles (os pistácios salgados têm demasiado sal e não resultariam bem aqui).



Guacamole com pistácios

Ingredientes ( 4 pessoas )
  • 2 abacates
  • ½ cebola
  • 1 molho de coentros, sem os talos
  • 1 malagueta pequena (usei malagueta vermelha, mais por razões estéticas que de sabor, mas podem usar uma verde também)
  • sumo de 1 lima
  • sal
  • pimenta
  • 1 mão bem cheia de pistácios sem sal

  • Comecem por descascar e retirar o caroço aos abacates. Cortem-nos aos cubos, coloquem numa taça e esmaguem-nos com a ajuda de um garfo. De sequida, piquem bem a cebola e os coentros. Finalmente, abram a malagueta, retirem as sementes e piquem finamente. Juntem a cebola, os coentros e a malagueta ao abacate e misturem bem.

  • De seguida, juntem o sumo da lima e misturem. Provem e temperem com sal e pimenta a gosto. Para terminar, piquem grosseiramente os pistácios e juntem, misturando bem.

  • Sirvam acompanhado de tortilhas fritas.

Bellini

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Escrito por Bruno



O Bellini nasceu no Harry's Bar, em Veneza, pela mão do fundador, Giuseppe Cipriani, que achou que a cor do cocktail fazia lembrar os tons dos quaddros do pintor veneziano Giovanni Bellini.

Felizmente, não é preciso ir a Veneza para experimentar este cocktail - e não é preciso grande mão-de-obra. Basta ter pêssegos à mão e uma garrafa de prosecco. Claro que as variações são possíveis - não havendo prosecco à mão, qualquer outro espumante pode ser usado (ninguém se vai chatear se usarem champanhe!). A fruta também pode variar (já vi receitas de Bellinis de maracujá e até de ruibarbo), mas o ideal é ficar pelo pêssego.

A propósito - um Bellini como deve ser deve ser feito com pêssegos brancos, que têm uma polpa muito mais clara, dando um tom mais rosado ao cocktail. Quando não se encontram destes, um pêssego amarelo serve perfeitamente (como provavelmente perceberão pela cor na foto ali em cima, foi o que me aconteceu desta vez).



Orazione nell'Orto, de Giovanni Bellini. Aquilo ao fundo é uma alvorada de pêssego ou já bebi demais?...



Bellini

Ingredientes
Os ingredientes vão sem quantidades fixas - dependem de quantos cocktails quiserem fazer, do tamanho das vossas flutes, e do gosto pessoal. Um pêssego dá perfeitamente para uns poucos cocktails.
  • Pêssego branco
  • Açúcar
  • Prosecco

  • Comecem por preparar o puré de pêssego - basta descascar a fruta (quanto mais fria estiver, melhor, que o cocktail quer-se fresco), tirar-lhe o caroço e triturar bem. Se acharem necessário, podem juntar um pouco de açúcar. Passem depois por um passador para retirar os sólidos e ficarem só com a parte líquida. Está feito.

  • A seguir, coloquem um pouco de puré de pêssego no fundo de flutes de champanhe e encham o resto com o prosecco bem frio. A proporção deve ser mais ou menos de uma parte de puré para duas de prosecco, mas cada um ajustará ao seu gosto. Misturem um pouco com uma colher e sirvam imediatamente.

Batatas assadas

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Escrito por Bruno



Hoje temos um acompanhamento. E sim, sei que são "só" batatas no forno, mas são umas batatas que ficam bastante estaladiças por fora e incrivelmente suaves por dentro. Fiz estas batatas para acompanhar uma peça de carne que tínhamos a assar e não me lembro de ver batatas desaparecer tão depressa!

Uma nota quanto à gordura - o azeite é uma alternativa óptima (e, claro, mantém a receita como opção válida para vegetarianos). No entanto, para quem preferir, vale a pena tentarem encontrar a gordura de pato ou ganso para a assadura - o sabor fica irresistível. Aqui em Inglaterra é fácil encontrar esta gordura à venda em supermercados; em Portugal, encontra-se no Corte Inglés, mas não sei quão fácil é noutros locais.

A receita original é da BBC Good Food.



Batatas assadas

Ingredientes ( 4 pessoas )
  • 1 kg de batatas para assar
  • 100ml de azeite - ou, se preferir, 100g de gordura de pato ou ganso
  • 2 colheres de chá de farinha
  • rosmaninho
  • tomilho
  • sal grosso

  • Comecem por colocar uma assadeira no forno a 200° (ou 180° ventilado). Entretanto, descasquem as batatas e cortem-nas em pedaços mais ou menos irregulares, com cerca de 5cm de lado. Coloquem-nas num tacho, cubram com água, juntem um pouco de sal e levem ao lume. Assim que a água ferver, baixem o lume e deixem cozer por dois minutos.

  • Enquanto as batatas cozem, retirem o tabuleiro do forno e juntem-lhe a gordura que estiverem a usar. Voltem a colocar no forno para que a gordura vá aquecendo.

  • Entretanto devem ter passado os dois minutos - escorram as batatas num escorredor. Abanem o escorredor para a frente e para trás algumas vezes para "amassar" um pouco as batatas. Ainda com elas no escorredor, deitem-lhes por cima as duas colheres de farinha e abanem mais um pouco para que a farinha as cubra bem. Finalmente, retirem o tabuleiro do forno e deitem-lhe as batats - cuidado: a gordura está quente e as batatas estão molhadas, por isso vai haver salpicos!

  • Com cuidado, virem as batatas para que a gordura as cubra por todos os lados. Espalhem nesta altura algumas hastes de alecrim e folhas de tomilho. Levem ao forno por 15 minutos. Retirem passado esse tempo, virem as batatas e voltem ao forno por mais 15 minutos. Retirem mais uma vez, voltem a virar e voltem ao forno por 10 a 20 minutos - ou o tempo que for necessário para que fiquem douradas e estaladiças. No final, cubram com sal e sirvam.

Caril de lentilhas, coco e cenoura

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Escrito por Bruno



Encontrei esta receita no Pretty.Simple.Sweet. e fiquei imediatamente interessado. Adoro lentilhas, ainda mais em caril, e ao ler a receita já estava a imaginar o sabor que deveria ter.

Não me enganei - este caril é óptimo. Simples de fazer, com muito sabor e uma óptima alternativa para qualquer refeição. E é versátil - as cenouras podem facilmente ser substituídas por abóbora ou batata-doce e é fácil misturar quaisquer outros ingredientes que tenham em casa e queiram aproveitar. Se quiserem uma versão completamente vegetariana, retirem simplesmente a manteiga. Para acompanhar, servi o caril acompanhado de arroz de coco e a combinação foi perfeita.



Caril de lentilhas, coco e cenoura

Ingredientes ( 4 pessoas )
  • 200g de lentilhas pretas
  • 450ml de água
  • ½ cebola
  • 2 cenouras
  • 1 colher de sopa de pasta de caril vermelho
  • 400ml de leite de coco
  • 1.5 colheres de chá de canela em pó
  • 1 colher de sopa de caril em pó
  • 1 ou 2 colheres de sopa de manteiga (opcional)
  • azeite
  • sal
  • pimenta

  • Juntem as lentilhas e a água num tacho e levem ao lume até ferver. Nessa altura baixem o lume, tapem o tacho e deixem cozer durante 15 a 20 minutos até as lentilhas absorverem a água.

  • Enquanto as lentilhas cozem, piquem a cebola e cortem as cenouras em cubos pequenos. Deitem um fio de azeite numa frigideira funda e refoguem a cebola e a cenoura durante 5 a 10 minutos, até começarem a amolecer. Juntem a pasta de caril, o leite de coco, a canela, o caril em pó e a manteiga (se utilizarem). Deixem fervilhar por uns minutos até reduzir um pouco.

  • Temperem com sal e pimenta a gosto e, finalmente, juntem as lentilhas, misturando bem durante um minuto ou dois - está pronto a servir!

Gelado de pêssego e amêndoa amarga

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Escrito por Bruno



Esta foi uma daquelas receitas que aparecem sem sabermos bem de onde. Ao passar numa mercearia de bairro, olhei para as bancas de fruta na rua, reparei no óptimo aspecto dos pêssegos e pensei no que poderia fazer com eles. Não sei porquê, mas veio-me à cabeça não só a ideia de fazer um gelado, mas também a combinação exacta de sabores - gelado de pêssego com amêndoa amarga. O pêssego combina bem com o sabor da amêndoa - é bastante comum encontrar receitas de pêssegos assados com os biscoitos italianos amaretti -, mas nunca tinha experimentado em gelado. E digo-vos, vale bem a pena.

Para o gelado, adaptei a receita do Perfect Scoop, o livro de gelados do David Lebovitz, mas acrescentando o licor de amêndoa amarga e os amaretti. Para servir, enfeitei com amêndoa laminada e um fio de mel, mas estes são perfeitamente opcionais - este gelado é óptimo comido simples, directamente do recipiente. Aliás, difícil vai ser não acabar com ele todo de uma vez!



Gelado de pêssego e amêndoa amarga

Ingredientes
  • 600g de pêssegos maduros
  • 125ml de água
  • 20ml de licor de amêndoa amarga
  • 150g de açúcar
  • 400g de natas (usei double cream, natas com maior teor de gordura)
  • algumas gotas de extracto de baunilha
  • 1 limão
  • 50g de biscoitos amaretti

  • Descasquem os pêssegos, tirem os caroços e cortem em pedaços pequenos. Coloquem-nos num tacho, juntem a água e o licor de amêndoa amarga e levem a lume médio, durante cerca de 10 minutos, até os pêssegos cozerem. Nessa altura retirem do lume, juntem o açúcar, mexam bem e deixem arrefecer.

  • Assim que estiverm frios, deitem os pêssegos (e toda a calda que se tiver formado) para um copo misturador, juntem as natas, a baunilha e um pouco de sumo de limão. Triturem bem e retirem para um recipiente. Esmigalhem os biscoitos com as mãos e juntem-nos ao preparado.

  • Deitem o preparado na máquina de gelados e sigam as instruções do fabricante. Sirvam como vos apetecer!